Mostrar mensagens com a etiqueta Review. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Review. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de junho de 2014

Thirteen Reasons Why de Jay Asher

Sinopse

You can't stop the future. You can't rewind the past. The only way to learn the secret. . . is to press play.

Clay Jensen doesn't want anything to do with the tapes Hannah Baker made. Hannah is dead. Her secrets should be buried with her. Then Hannah's voice tells Clay that his name is on her tapes-- and that he is, in some way, responsible for her death. All through the night, Clay keeps listening. He follows Hannah's recorded words throughout his small town. . . . .and what he discovers changes his life forever.

A Minha Opinião

Admito que tive de ponderar durante algum tempo sobre a minha review deste livro. Não é fácil escrever algo sobre ele, não tanto pelo prazer que a sua leitura me proporcionou (que neste caso foi nenhuma), mas pelo tema que aborda. 

Sabemos que ao pegar num livro que aborda de uma maneira tão única o suicídio é sinónimo de uma leitura algo pesada - e sim, mórbida - que muito possivelmente nos levará a analisar as várias questões que são suscitadas durante o livro, algumas da quais (possivelmente) nunca nos tinham passado pela cabeça. Admito que tal, assim como o facto de a história ser contada através de áudio cassetes, foram as principais razões que me atraíram para este livro, mas infelizmente a história não correspondeu às minhas expectativas.

Se tivesse de escolher apenas uma palavra para caracterizar este livro escolheria "egoísmo". A atitude de Hanna ao decidir partilhar estas cassetes parece bastante egoísta. Sim, tal como disse, essa até foi uma das coisas que me atraiu mais em relação a este livro, mas depois de lê-lo posso dizer que aquelas cassetes eram apenas lavagem de roupa suja. Partilhou momentos que, analisados a frio, nos levariam a desvalorizá-los e a considerá-los como pouco merecedores do estatuto de razões pelas quais Hanna se suicida, especialmente no início. Claro que no final conseguimos perceber o desespero em que se encontrava e o que a levava a agir daquela forma, mas até chegar a esse ponto a história soube sempre a pouco e a ideia de egoísmo foi a que dominou os meus pensamentos durante essa fase.

Para além disso, e tal como já referi, uma boa parte das razões pelas quais Hanna incluía certas pessoas nas cassetes parecia pouco sustentada. Criava-se um grande suspense em relação a cada personagem e ao que poderia ter levado à sua inclusão na lista de Hanna, mas chegado o fim do capítulo imperava a sensação de insatisfação. Uma das personagens chegou mesmo a dizer "I don't belong on those tapes. Hanna just wanted an excuse to kill herself." E, confesso, durante uma boa parte do livro cheguei a compreender esta posição. Realmente parecia que Hanna ia buscar fundamentos a momentos que, na realidade, não seriam suficientemente fortes para motivar um suicídio.

Apesar de tudo, penso que este é daqueles livros que não deve ser apressado e que mesmo depois de terminá-lo, devemos tirar algum tempo para refletir sobre aquilo que acabámos de ler. É verdade, não creio que seja uma história especialmente brilhante nem que esteja particularmente bem escrita, mas gostei do facto de o autor não ter receio de abordar um tema difícil e de uma forma tão diferente, convidando o leitor a pensar sobre aquilo que se está a passar. Para além disso - e creio que esse é que foi o grande ponto forte desta história - procura ainda mostrar como cada um pode lidar com o suicidio de um amigo/familiar de diferentes formas. A forma como Clay se vai perdendo nestas cassestes e como vai reflectrindo sobre a sua própria vida e crescendo está muito bem conseguida nesta história e esse acaba por ser um dos pontos em que o autor faz a sua história brilhar.

Concluindo, apesar de de reconhecer que o livro tem os seus pontos fortes, tenho de reconhecer que não gostei da história em geral e que me irritei com Hanna e com a posição de superioridade moral em que por vezes parecia colocar-se. Para além disso, acho que todo o livro deixa uma sensação de insatisfação por não conseguir corresponder a todo o suspense que cria em relação aos vários motivos que culminam no suicidio de Hanna.

Classificação: 2 estrelas

sábado, 31 de maio de 2014

Diário deum Escândalo de Zoë Heller

Sinopse

Este livro conta a história de um escândalo amoroso que envolve uma professora, uma mulher de quarenta e dois anos, casada e mãe de dois filhos, e um jovem aluno de quinze anos. É também a história da amizade entre duas mulheres, Sheba, a professora cujo envolvimento com o adolescente é descoberto, e uma outra professora da mesma escola, uma mulher na casa dos sessenta, cuja vida vazia e sem objectivos a predispõe imediatamente a apoiar a bela e sonhadora Sheba. Enquanto o seu casamento se desmantela e a imprensa disseca a sua vida, Barbara tenta desmistificar os juízos de uma sociedade preconceituosa, empreendendo uma meticulosa análise daquele caso num diário onde anota não só os factos como as suas reflexões.

A Minha Opinião

Andava a namorar este livro desde que o filme saiu no cinema, ou seja, há imenso tempo! Felizmente, um dos livros do passatempo da Presença era precisamente este e assim aproveitei para (finalmente) adquiri-lo e atirar-me à sua leitura.

Confesso que não sabia muito bem o que esperar. Tinha uma noção da premissa, mas não sabia se iria ser algo estilo Lolita, debruçando-se mais sobre o romance entre Sheba e Steven, ou se tentaria lançar o leitor numa reflexão sobre a sexualidade e a forma como temos a tendência para categorizar tudo e definir o que deve ou não ser visto como aceitável. Pelo trailer do filme, parecia ser uma história algo escandalosa (fazendo assim jus ao próprio título da obra), mas depois de a ler cheguei à conclusão de que ia para além da relação pouco convencional de Sheba com o seu aluno.

Apesar de essa relação ser o foco da narrativa, é a perspetiva de Barbara e a sua análise do comportamento, não só de Sheba e de Steven, mas também das pessoas em geral, que nos atrai. Por um lado, porque nos dá uma visão menos toldada por fantasias românticas como parece ser a de Sheba, mas por outro porque também nos permite conhecer um pouco melhor Barbara e perceber o quão solitária esta estava. O facto de ser uma pessoa pouco sociável e com uma certa tendência para se distanciar dos outros, fazia com esta tivesse opiniões muito próprias sobre certos comportamentos. Um dos exemplo que posso mencionar é a análise que ela faz dos professores com quem trabalha e da forma como estes criam as suas amizades, distinguindo os que desesperam por associar-se a algum grupo daqueles que são mais pacientes e reservados e que não se deixam levar por grandes euforias. 

Aliás, é essa posição única que também torna o seu envolvimento nesta história algo peculiar. É mais do que evidente, desde o início, que Barbara tem um certo fascínio por Sheba, considerando-a inclusivamente como a sua alma gémea. Fica de tal forma obcecada pela vida de Sheba, que procura a todo o custo tornar-se sua amiga, ocupar um papel central na sua vida e controlar o que ela faz. Toda essa necessidade torna ainda mais evidente a sua solidão e Barbara é bastante honesta em relação a esse aspeto, não procurando ocultá-lo ou minimizá-lo. No entanto, rapidamente o leitor dá-se conta de que essa posição também se deve ao facto de Barbara não ser uma pessoa fácil - longe disso. É demasiado rápida e dura a avaliar os outros e sente uma grande necessidade de ocupar uma posição dominante nas suas relações, tornando-se assim mais do que evidente o porquê de as pessoas se afastarem dela. 

No que diz respeito ao enredo em geral, fiquei surpreendida com o facto de a história não se centrar tanto no romance como esperava. A perspetiva de Barbara apenas nos permite aceder àquilo que Sheba partilhou consigo, havendo detalhes da sua relação com Steven que nunca chegamos a conhecer. Aliás, penso que nesse aspeto a história pode saber a pouco. Ainda que sabendo as potenciais consequências dos atos de Sheba, não sabemos exatamente como era a sua relação com o seu aluno - apesar de termos algumas ideias -, assim como também desconhecemos o efeitos da mesma para Steven. Aliás, fica-se quase com a ideia de que para ele foi apenas uma conquista, não lhe atribuindo o mesmo significado que Sheba, mas não há grande margem para ir para além dessas considerações porque também não nos são dados mais detalhes.

No geral, e apesar de ter gostado bastante da história, fiquei com pena que não se explorassem mais certos aspetos. Gostava de ter ficado a conhecer um bocadinho melhor Steven e de saber mais coisas sobre a sua relação com Sheba. No entanto, penso que este livro prima pelas análises que faz, seja das relações entre as diferentes personagens, do próprio affair, como também dos limites que a imprensa está disposta a passar apenas para conseguir um bom furo. 

É sem dúvida um daqueles livros em que é inevitável não criar a nossa opinião sobre os diferentes temas e contrastá-las com a perspetiva de Barbara, mas penso que esse acaba por ser um dos seus pontos fortes. Fiquei foi sem grande vontade de ver o filme, porque depois de voltar a ver o trailer, fiquei com a ideia de este se afastava um pouco do livro e que puxaram mais para o escândalo.

Classificação: 4 estrelas




sábado, 24 de maio de 2014

Paper Towns de John Green

Sinopse

Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot.

A Minha Opinião
  
John Green é (muito provavelmente) um dos autores juvenis (Young Adult) mais badalados do momento. Uma breve passagem por comunidades como Goodreads ou Bootube evidencia essa tendência. Parece que (praticamente) toda a gente leu pelo menos um dos seus livros, sendo já muitos os que leram todas as suas obras. Confesso, tanta popularidade despertava a minha curiosidade e vontade de ler algo deste autor. Contudo, também tinha algum receio de não perceber o porquê de tanto delírio e de simplesmente não gostar das suas histórias.

Pensei que o melhor seria começar por um livro que não reunisse um grande consenso e que não fosse um dos mais adorados. Paper Towns surgiu assim como a escolha ideal para esta primeira leitura. Pelas reviews que li, percebi que este era um livro adorado por uns, mas pouco valorado por outros e por isso achei que seria o melhor para uma introdução à obra de John Green.

Fiquei maravilhada? Posso desde já dizer que não. Percebo o encanto. Os seus livros têm histórias aparentemente simples, mas cheias de significados e mensagens subliminares, e o facto de se centrarem em adolescentes fora do comum atrai seguramente leitores mais jovens. Não foi, no entanto, uma fórmula que resultasse comigo. Achei a história meio "hollywoodesca", pronta para passar ao grande ecrã como um filme de adolescentes para adolescentes. Não que isso seja um defeito; é simplesmente algo já visto que resultou melhor (na minha opinião, pelo menos) com outras obras (penso principalmente em The Perks of Being a Wallflower).

Mesmo as personagens não encheram medidas, caindo em estereótipos já explorados noutros livros. O adolescente pouco popular com uma paixoneta pela vizinha do lado - por sinal bastante bonita e fascinante - que decide sair da sua zona de conforto para encontrar Margo quando esta desaparece misteriosamente. Até os seus amigos encaixam em alguns dos modelos já anteriormente estabelecidos por outros autores ou até mesmo filmes. Por um lado tinhamos o amigo meio amalucado, que apenas se preocupa com miúdas, mas com quem simpatizamos; por outro, o típico amigo super inteligente, dedicado às novas tecnologias e que mesmo dormindo apenas um par de horas numa noite é capaz de tirar uma brilhante nota no teste do dia seguinte. A juntar-se a este grupo, tínhamos ainda a miúda popular, insegura, paranóica e com complexos com a comida que acaba por se envolver com um rapaz que nada tinha que ver com ela. Nada de novo, como podem ver.

A história em si parecia prometedora, especialmente por convidar o leitor a reflectir um pouco sobre as relações interpessoais  e as expetativas que criamos em relação às pessoas que nos rodeiam, mas não pude deixar de pensar que o autor floreou demasiado alguns aspetos sem grande necessidade. Para além disso, penso que algumas das reflexões e deixas das personagens não correspondiam à sua idade, por muita maturidade que já tivessem, tornando a história pouco credível em certos momentos.

Em suma, não foi propriamente a melhor estreia, mas, ao mesmo tempo, penso que me permitiu formar uma opinião em relação ao trabalho de John Green e conhecer um pouco o seu estilo. Apesar de já ter lido livros melhores, houve coisas que gostei e que ficaram na minha memória e que me fizeram reflectir. 

Houve uma passagem de que gostei especialmente e que transcrevo para aqui:

"You know your problem, Quentin? You keep expecting people not to be themselves. I mean, I could hate you for being massively unpunctual and for never being interested in anything other than Margo Roth Spiegelman, and for, like, never asking me about how it's  going with my girlfriend - but I don't give a shit, man, because you're you. My parents have a shit ton of black Santas, but that's okay. They're them. I'm too obsessed with a reference Web site to answer my phone sometimes when my friends call, or my girlfriend. That's okay too. That's me. You like me anyway. And I like you. You're funny, and you're smart, and you may show up late, put you always show up eventually."

Penso que isto acaba por resumir o essencial do livro e uma das principais ideias que o autor pretende passar sobre as pessoas e a forma como nos relacionamos, mas tal como disse anteriormente, penso que houve algum floreado para chegar a questões ou conclusões que na realidade eram relativamente simples de explicar. Por fim, devo ainda dizer que não gostei especialmente do ritmo do livro que ele parecia arrastar-se um pouco, sendo que o melhor foi mesmo o último terço da história.

Classificação: 3 estrelas

quarta-feira, 7 de maio de 2014

The Cuckoo's Calling de Roberth Galbraith

Sinopse

Quando uma jovem modelo cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra - com sequelas físicas e psicológicas - e a sua vida está um caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna - e mais se aproxima de um perigo terrível...

A Minha Opinião

Ainda não tinha lido nada do trabalho de J K Rowling após a fase Harry Potter. Não tinha que ver com o facto de ser um estilo diferente e de já não ser o mundo mágico a que ela nos tinha habituado. Deveu-se, muito simplesmente, ao facto de, pelo meio, terem saído livros que eu considerei mais interessantes ou porque tinha outras coisas na minha estante que queria ler. Estava curiosa, mas - admito - The Casual Vacancy não me tinha despertado muito a atenção e The Cuckoo's Calling parecia interessante, mas acabei por ir adiando a sua compra. 

Agora que o li, que posso então dizer? Surpreendente! É um livro verdadeiramente surpreendente. Claro que não se aproxima daquilo a que estavamos habituados em Harry Potter, mas tiro o chapéu a J K Rowling. Não esperava que ela conseguisse escrever um policial complexo, com personagens muito bem caracterizadas e desenvolvidas e que ainda nos desse um final em cheio.

Mas agora dividindo por partes.

Relativamente ao enredo, devo dizer que, no início, pensava que seria uma história que precisaria de algum fôlego para se manter durante as 550 páginas que o livro tem. A premissa, apesar de interessante, parecia deixar muita coisa em aberto. Tanto poderia ser daqueles enredos que rapidamente "morrem" e em que metade dos capítulos estão ali para encher, como ter um desenvolvimento meio rocambolesco e que no final nos levaria a questionar "Mas o que é que acabou de acontecer?" por parecer tudo tão inverosímil. Felizmente, não aconteceu nada disso e fiquei bastante satisfeita com a forma como J K Rowling desenvolveu a premissa. É daquelas histórias que de início podem parecer simples, mas que à medida que vão progredindo, adensam-se e ficam cada vez mais complexas e ricas.

Essa característica tornou-se evidente na própria forma como a investigação de Cormoran ia progredindo e isso deu uma boa margem para que eu fosse extraindo as minhas próprias conclusões e fizesse deduções com base nos elementos que eram fornecidos. O leitor quase que assume o papel de co-detetive do caso e isso, a meu ver, é um aspeto bastante positivo, porque isso significa que estamos perante uma história cativante e envolvente.

Já no que diz respeito às personagens, fantástico. Apesar de a personagem principal ser Cormoran, cada uma das personagens secundárias (mesmo aquelas que apenas entram em um ou dois capítulos) são excecionais. A caracterização feita pela autora é fantástica; os retratos que faz e a forma como recorre a diferentes registos para cada uma das suas personagens permitiram imaginar de forma muito mais clara como é que cada uma era e que postura e maneirismos estaria a adotar durante o seu tempo de antena. Aliás, confesso que é raro encontrar um livro que me leve a admirar a capacidade e versatilidade de um autor para adaptar o discurso e as marcas de oralidade a cada personagem - uma caracaterística que, a meu ver, por vezes é negligenciada e que, no entanto, enriquece uma personagem -, mas essa foi precisamente uma das coisas que mais me atraiu neste livro.

As minhas personagens preferidas acabaram por ser Cormoran e Robin, a sua secretária. Cormoran porque não se enquadrava no padrão de detetive a que muitos policiais nos habituam - um homem atraente, mesmo que não necessariamente bonito que apesar do seu passado meio obscuro,  nos conquista e cativa. Facto, é um homem inteligente, com um passado meio conturbado e uma história familiar algo pecualiar, mas ao mesmo tempo, tem um ar quase anti-herói - excesso de peso, uma prótese na perna, dorme no seu próprio escritório e tem uma divida considerável a pesar-lhe os ombros. Todos estes elementos fizeram com que engraçasse desde logo com ele. Não tentava ser perfeito - nem era esse o plano da autora - e a sua simplicidade acaba por ser cativante. Quanto a Robin, achei-lhe piada por ser sonhadora, por ter seguido o seu sonho e trabalhar onde se sentia mais feliz, seguindo aquilo que sempre ambicionou (ainda que secretamente).

No geral, uma leitura bastante agradável e cativante que recomendaria a todos, especialmente a quem gosta de policiais. Claro que, para quem leu Harry Potter, este mundo e estilo serão completamente diferentes daquilo a que estavam habituados, mas penso que vale bem a pena mergulhar nesta história e simplesmente deixarem-se levar pela sua intriga. O final não deixa de ser surpreendente, ainda que possa parecer algo rápido quanto ao seu desenlace.

Classificação: 5 estrelas

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ana Karenina de Leão Tolstoi

Sinopse

Ana Karenina parece ter tuddopo – beleza, dinheiro, popularidade e um filho adorado. Mas sente um vazio na sua vida até ao momento em que conhece o arrebatador conde Wronsky. A relação que em breve se inicia entre ambos escandaliza a sociedade e a família, e traz no seu encalce ciúme e amargura.
Em contraste com esta história de amor e autodestruição, encontramos Constantino Levine, um homem em busca da felicidade e de um sentido para a sua vida.




A Minha Opinião

Este é um daqueles livros que constava na minha lista de clássicos a ler já há bastante tempo, mas que até ao momento ainda não tinha tido coragem de pegar. Despertava a minha curiosidade por ser um clássico da literatura russa e de ter uma história tão focada na vida de uma mulher. No entanto, tinha algum receio que a narrativa se revelasse algo arrastada, o que, aliado ao tamanho da obra, poderia levar a que a sua leitura se revelasse bastante custosa. Felizmente, Ana Karenina revelou-se uma agradável surpresa e acabei por lê-lo muito mais rápido do que inicialmente esperava.

Fiquei desde logo surpreendida com o estilo de Tolstoi e pelo retrato que ele fez da sociedade russa do século XIX. Pensava, muito sinceramente, que a narrativa seria arrastada e demasiado marcada pela época em que o livro foi publicado, mas deparei-me com uma obra pouco pesada e cativante. Ainda que por vezes os diálogos se dedicassem à política ou filosofia, eram bastante interessantes e apelavam à reflexão e as descrições permitiam imaginar os cenários da história com alguma clareza e sem maçar o leitor. Para além disso, a contraposição feita entre classes - uma alta sociedade hipócrita e demasiado preocupada com aparências e uma classe pobre que, apesar do seu trabalho árduo, recebia salários bastante baixos - e a vida na cidade e no campo permitia, não só, contextualizar a obra, mas também conhecer a sociedade da altura e perceber os atritos que existiam e a forma como as pessoas os viviam.

No entanto, essa não é a única realidade destacada em Ana Karenina. O adultério assume especial relevância, percebendo-se as diferenças que socialmente eram estabelecidas para a mulher e para o homem. É evidente a crítica do autor à hipocrisia da época e a forma como utilizou Ana e o seu irmão para expor os dois extremos do tema é magistral. Uma traição perpetrada por um homem era algo (praticamente) natural e visto como um mal inevitável dos casamentos em que o marido já não se sente sexualmente atraído pela sua mulher. Em suma, considera-se como um comportamento perfeitamente justificavel e cabia à mulher aceitá-lo e seguir com a sua vida como se nada tivesse acontecido. Já Ana, ao assumir o seu romance com Wronsky, é ostracizada pela sociedade e passa a ser considerada como uma mulher desonrada e escandalosa que não soube respeitar a moral e a posição do seu marido. As consequências da sua escolha são avassaladoras, comprometendo, não só, a sua posição social, mas também a relação com o seu filho.

Já no que diz respeito às personagens, devo admitir que fiquei algo dececionada. Não gostei de Ana. Achei-a demasiado caprichosa, possessiva e insatisfeita e apesar de perceber o sofrimento a que ficou submetida pela escolha entre seguir as convenções sociais da época e seguir aquilo que a faria feliz, não consegui sentir grande empatia por ela. Wronsky e Karenine também não eram especialmente cativantes, mas confesso que acabaram por despertar mais o meu interesse e por apelar à minha simpatia. Honestamente, penso que o primeiro fez o que era humanamente possível para sustentar a sua relação com Ana e que Karenine, apesar da sua frieza e distanciamento, apelava pelo seu intelecto. Por fim, destaco ainda Kitty e Levine, casal com o qual comparávamos a relação de Ana e Wronsky. Gostei destas personagens, pelo seu romance e, principalmente, pelos dilemas de Levine, um homem do campo pouco habituado às exigência da vida na cidade, que dedicava uma grande porção do seu tempo a reflexões sobre a morte e a fé.

No geral, uma leitura bastante agrádavel e interessante, não só pelo retrato da sociedade da época, mas também pela forma como o autor utilizou as personagens para representar os seus principais sectores - os latifundiários, os militares, os nobres, os eruditos mais dados à política e à filosofia e os trabalhadores rurais. Para além disso, a forma como aborda o conflito entre a concretização pessoal e o seguir as convenções sociais está muito bem elaborada nesta obra, tornando-se mesmo num dos seus principais temas, a par do adultério. Uma leitura que recomendo vivamente. 

Classificação: 4 estrelas

domingo, 13 de abril de 2014

El Ruido de las Cosas al Caer de Juan Gabriel Vásquez

Sinopse

Tan pronto conoce a Ricardo Laverde, el joven Antonio Yammara comprende que en el pasado de su nuevo amigo hay un secreto, o quizá varios. Su atracción por la misteriosa vida de Laverde, nacida al hilo de sus encuentros en un billar, se transforma en verdadera obsesión el día en que éste es asesinado.

Convencido de que resolver el enigma de Laverde le señalará un camino en su encrucijada vital, Yammara emprende una investigación que se remonta a los primeros años setenta, cuando una generación de jóvenes idealistas fue testigo del nacimiento de un negocio que acabaría por llevar a Colombia —y al mundo— al borde del abismo. Años después, la exótica fuga de un hipopótamo, último vestigio del imposible zoológico con el que Pablo Escobar exhibía su poder, es la chispa que lleva a Yammara a contar su historia y la de Ricardo Laverde, tratando de averiguar cómo el negocio del narcotráfico marcó la vida privada de quienes nacieron con él.

A Minha Opinião

Este livro acabou por despertar a minha atenção por dois motivos: por um lado, pelo facto de se passar na Colombia (país sobre o qual sei pouco) e ter alguma ligação a Pablo Escobar e, por outro, pelo facto de ser um livro premiado. Não posso dizer que a sinopse, só por si, tenha sido suficiente para me cativar, mas a conjugação desses elementos acabou por me levar a comprá-lo.Como podem ver, não parti para esta leitura com expetativas especialmente elevadas e penso que isso jogou a seu favor e fez com que apreciasse muito mais a sua história. 

Este é, sem dúvida, um daqueles livros que, a princípio, parecem ser relativamente simples ou básicos quanto à sua premissa, mas depois de ler as primeiras páginas apercebemo-nos de que, na realidade, oferece muito mais do que aquilo que inicialmente poderiamos pensar. Aliás, é precisamente a sua aparente simplicidade que atrai o leitor e que leva a que se deixe envolver pela história de Antonio Yammara e da sua amizade com Ricardo Laverde, um homem bastante enigmático ao início, mas cujo passado vamos conhecendo aos poucos.

Yammara e Ricardo não são propriamente personagens que se assemelhem. A sua amizade foi fruto de um mero acaso e a verdade é que Yammara pouco sabe sobre Ricardo, o que acaba por se tornar numa verdadeira obsessão depois de este ser assassinado. Aliás, são as sensações de vazio, de obsessão por saber mais e, de alguma forma, distanciamento da realidade que contribuem para o tom melancólico que acompanha toda esta narrativa, algo muito bem conseguido por Juan Gabriel Vásquez e que em momento algum enfada o leitor.

Gostei bastante da forma como o passado de Ricardo foi desvendado e de ficarmos a conhecer melhor a sua família, especialmente Elaine (ou Elena, como era tratada na Colombia) a mulher com quem partilhou a sua vida e com quem teve uma filha, Maya. Ricardo não passava de um sonhador - e, de certa forma, algo ingénuo -, característica que partilhava com Elaine, mas enquanto esta dedicava os seus esforços ao voluntariado e a a ajudar em zonas mais rurais da Colombia, ele aplicava os seus talentos ao narcotráfico e isso acabou por lhe custar a sua liberdade.

Além disso, a própria forma como esses detalhes eram partilhados era bastante interessante, em especial pela forma como afetava a vida de Antonio e Maya, meros ouvintes e leitores de algumas casseste e cartas que permitiram unir as pontas soltas e traçar a história de Ricardo e Elaine. Viviam-no de forma especialmente intensa e isso acabava por conduzi-los a momentos de maior introspeção e de auto análise.

No geral, um livro que me surpreendeu pela positiva e que me agradou bastante. Não é propriamente uma leitura animada, mas dá-nos um retrato de um país que ficou marcado pelo "reinado" de Pablo Escobar, em que o medo acabou por marcar uma geração inteira. É um livro sobre amizade e sobre o amor nascido em tempos menos propícios ou marcado por acontecimentos traumatizantes que nos cativa com as suas personagens e com as suas histórias.

Classificação: 4 estrelas

domingo, 30 de março de 2014

El Prisionero del Cielo de Carlos Ruiz Zafón

Sinopse

Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas.
Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.
Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração do Cemitério dos Livros Esquecidos.

A Minha Opinião

Parti para a leitura deste livro com expetativas bastante moderadas. El Juego del Ángel não me conquistou por completo e dada a tendência para considerar o terceiro livro da saga como o mais fraco, pensei muito sinceramente que o melhor seria tentar atirar-me para a leitura de El Prisionero del Cielo sem grandes expetativas. 

O que dizer sobre este livro? Por um lado, adorei voltar a encontrar-me com Daniel e Fermín, as duas personagens que me tinham encantado em La Sombra del Viento. Voltam enquanto protagonistas desta história, mas é o passado de Fermín que ficamos a conhecer melhor. Nas reviews que já tinha lido, havia muita gente que apontava este facto como um dos aspetos negativos deste livro, afirmando inclusivamente que a obra parecia uma mera compilação dos apontamentos do autor sobre esta personagem. No entanto, devo admitir que esta foi precisamente uma das coisas de que mais gostei neste livro. Por um lado, porque Fermín é a minha personagem preferida desta saga e por isso tinha curiosidade em saber mais coisas sobre si, mas por outro, porque permitiu perceber melhor as ligações que existem entre as diferentes personagens e histórias. Penso que ficaram mais claras as ramificações da relação de David com Isabela e com a família Sempere e a forma como tal afetava Daniel. E claro, estando este livro tão focado em Fermín, seria impossível não destacar a sua forma tão peculiar de falar, que por várias vezes me fez rir e fazer caras estranhas em plena viagem de comboio.

Para além disso, gostei das referências a obras como O Conde de Monte Cristo e a Os Miseráveis e a forma como acabavam por se interligar com as vidas dos nosso heróis. É algo que, em geral, gosto de ver nos livros e que neste resultou especialmente bem e que se enquadrava perfeitamente no ambiente gótico e meio onírico que caracteriza as obras de Carlos Ruiz Záfon.

No geral, desfrutei muito mais esta leitura do que El Juego del Ángel. Claro que, em parte, isso teve que ver com Fermín e com Daniel, mas por outro lado penso que também se deveu à própria história. Gostei do facto de ficar a conhecer algumas das coisas que se tinham passado entre os dois primeiros livros da saga, mas reconheço que, ainda assim, queria mais. O livro acabou por se focar muito no passado e pouco avançou quanto ao presente. Deixou em aberto algumas questões e criou um certo suspense para o quarto e último livro da saga o que fez com que, no geral, acabasse por saber a pouco. Acho que o livro acaba por ter um certo ar de novela intermédia do que propriamente a de um romance acabado, algo que acaba por não corresponder à sua dimensão. No entanto, gostei bastante da história e li mais rápido do que estava à espera.

Classificação: 4 estrelas

sábado, 22 de março de 2014

El Juego del Ángel de Carloz Ruiz Zafón

Sinopse:

Na Barcelona turbulenta dos anos 20, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe de um misterioso editor a proposta para escrever um livro como nunca existiu a troco de uma fortuna e, talvez, muito mais. 

Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.

A Minha Opinião:

Foi com alguma expetativa que comecei a ler o segundo volume da saga El Cementerio de Los Libros Olvidados. Adorei La Sombra del Viento e tinha alguma esperança que este livro conseguisse, não só, manter a aura do primeiro, mas também encantar-me da mesma forma. 

Começando pelos aspetos positivos. Desde logo, o estilo de Carlos Ruiz Zafón. A sua forma de escrever e a composição da sua narrativa continua a fascinar-me e contribui em grande medida para que me deixe envolver nas suas histórias.  Existem sempre várias passagens que merecem ser destacadas e nas quais acabo por me rever.

Para além disso, penso que a nível das personagens o autor também fez um excelente trabalho, especialmente com Isabella. Uma personagem feminina forte, determinada e bastante fiel a quem merecesse a sua admiração. Adorei as sua relação com David Martin e de, apesar de não terem começado da melhor forma, terem criado um laço tão forte entre si. Para além disso, achei que alguns dos seus diálogos era verdadeiramente deliciosos, tendo, inclusivamente, levado a que sorrisse por diversas vezes. Aliás, David parecia ter esse condão. Uma personagem atormentada pelas suas escolhas e pelo seu percurso mas que, ainda assim, conseguia fascinar-me com o seu sarcasmo e com as suas palavras.

Como último aspeto positivo destaco a ligação com a família Sempere. Apesar de ser uma história que ocorre antes dos acontecimento de A Sombra do Vento, gostei do facto de o autor incorporar algo que já me era familiar e de falar no avó de Daniel e da sua já conhecida livraria.

No entanto, há que admitir que este livro não brilhou da mesma forma que o primeiro - pelo menos para mim. Achei que tinha alguns altos e baixos e que houve momentos em que a narrativa se arrastou. Aliás, admito que só depois das primeiras 150 páginas é que me comecei a interessar mais pela história. Não é que o que estivesse a acontecer não fosse interessante; simplesmente não me cativava. 

Para além disso, Cristina - um dos vértices do triângulo amoroso criado com David e Pedro Vidal -  irritou-me em alguns momentos. Achei-a demasiado sofrida e algo manipuladora e, muito sinceramente, a sua faceta mártir não me convenceu. A nível de personagens femininas, Isabella dava 15-0 a Cristina. (Just saying ...)

No geral, uma sequela interessante mas que fica um pouco aquém de A Sombra do Vento. Gostei da ponte feita com a realidade que já era conhecida desse primeiro volume, mas houve alguns aspetos em El Juego del Ángel que acabaram por comprometer o meu encanto e que, inclusivamente, contribuíram para que não me sentisse tão cativada. Para quem gostou de A Sombra do Vento, penso que o melhor será tentar moderar as suas expetativas. O livro é bom e interessante, mas não creio que tenha a mesma magia ...
Classificação: 3,5 estrelas


quarta-feira, 12 de março de 2014

The Constant Princess de Philippa Gregory

Sinopse:

Splendid and sumptuous historical novel from this internationally bestselling author, telling of the early life of Katherine of Aragon. We think of her as the barren wife of a notorious king; but behind this legacy lies a fascinating story. Katherine of Aragon is born Catalina, the Spanish Infanta, to parents who are both rulers and warriors.

Aged four, she is betrothed to Arthur, Prince of Wales, and is raised to be Queen of England. She is never in doubt that it is her destiny to rule that far-off, wet, cold land. Her faith is tested when her prospective father-in-law greets her arrival in her new country with a great insult; Arthur seems little better than a boy; the food is strange and the customs coarse.

Slowly she adapts to the first Tudor court, and life as Arthur's wife grows ever more bearable. But when the studious young man dies, she is left to make her own future: how can she now be queen, and found a dynasty? Only by marrying Arthur's young brother, the sunny but spoilt Henry. His father and grandmother are against it; her powerful parents prove little use.

Yet Katherine is her mother's daughter and her fighting spirit is strong. She will do anything to achieve her aim; even if it means telling the greatest lie, and holding to it. Philippa Gregory proves yet again that behind the apparently familiar face of history lies an astonishing story: of women warriors influencing the future of Europe, of revered heroes making deep mistakes, and of an untold love story which changes the fate of a nation.

A Minha Opinião:

Esta foi uma dupla estreia: por um lado, porque foi o meu primeiro livro desta autora, por outro, porque, até ao momento, ainda não tinha lido nada relacionado com a dinastia Tudor. 

Foi uma leitura com os seus altos e baixos, não haja dúvida. Se por um lado a história parecia estar bem documentada e que nos dava um retrato realtivamente fiél da vida na corte durante os reinados de Henrique VII e Henrique VIII, creo que, em determinados aspetos, estava demasiado romanceado. Toda a história de amor entre Catalina e Arthur (o seu primeiro marido) pareceu-me demasiado mágica e pouco verísimil, especialmente se tivermos em conta a altura em que tudo isto se desenrolou. Foi a única parte que me fez duvidar um pouco da sua veracidade e que, muito sinceramente, parecia mais uma lenda do que algo baseado em qualquer documentação ou investigação histórica devidamente comprovada.

Para além disso, achei que a alternância na narrativa, passando da 3ª pessoa para a perspetiva pessoal de Catalina, também não foi sempre feliz. Por um lado, pareceu-me uma boa aposta da autora, uma vez que fazia sentido que tivessemos acesso aos pensamentos e divagações mais intimas de Catalina, não fosse ela o principal enfoque da história. Contudo, algumas das suas intervenções revelaram-se algo repetitivas e pouco cativantes, o que levou a que, em certos momentos, me limitasse a ler na diagonal para passar à próxima página.

Destaco ainda o facto de ser um livro pontuado por alguns elementos relacionados com estratégia militar e com a religião, algo que me pareceu bastante interessante, especialmente nos momentos em que se via o debate interno de Catalina e a forma como acabava por questionar aquilo que sempre assumiu como uma verdade absoluta. Aliás, o meu momento preferido do livro é precisamente aquele em que ela se vê forçada a consultar um médico Mouro, algo que ela a princípio rejeitava por ele não seguir os ensinamentos da fé cristã.

Já no que diz respeito às personagens, penso que Catalina e Henrique VIII são as que merecem maior destaque. Este último pela sua jovialidade e boa disposição, mas também pelo facto de parecer uma pessoa completamente desprendida, que apenas se preocupava com a sua diversão e com a sua obsessão por gerar um filho que desse continuação à dinastia Tudor. No entanto, achei interessante o retrato que foi feito ao longo da história porque apenas conhecia a parte dos diversos casamentos e da sua guerra com a Igreja Católica. Já Catalina destaca-se pela sua força e pelo seu engenho. Era uma pessoa bastante inteligente e determinada, caraterísticas que, muito provavelmente, tería herdado da sua mãe. Penso mesmo que acaba por ser impossível não admirar, ainda que um pouco, esta mulher. No entanto, houve momentos em que a achei demasiado obsecada com o objetivo de ser Rainha de Inglaterra levando mesmo a que o seu discurso se tornasse demasiado repetitivo

Uma leitura interessante mas que não aconselharia a quem procura algo rápido. No entanto, parece-me uma boa aposta, especialmente para quem gosta de ficção histórica e que se sinta especialmente curioso em relação às mulheres que fizeram parte da dinastia Tudor. 

Classificação: 3,5 estrelas.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski

Tal como tinha anunciado no início de Fevereiro, li Crime e Castigo com a Catarina do blog Sonhar de Olhos Abertos.

Deixo aqui os links para minha review, mas também para a que a Catarina deixou recentemente no seu blog e que vale bem a pena ler. Em vez de uma review no seu sentido mais tradicional, ela decidiu destacar as 7 razões pelas quais vale a pena ler este clássico da literatura russa. As razões estão bem delimitadas e concordo plenamente com todos os pontos por ela destacados. Fica assim o link para a minha review e para a review da Catarina.

Boas leituras e até ao próximo post :)

segunda-feira, 3 de março de 2014

A Rainha no Palácio das Correntes de Ar de Stieg Larsson

Sinopse

Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, completamente impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isto não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas… Entretanto, mantêm-se as movimentações secretas de alguns elementos da Säpo, a polícia de segurança sueca. Para se manter incógnita, esta gente que actua na sombra está determinada a eliminar todos os que se atravessam no seu caminho. Mas nem tudo podia ser mau: Lisbeth pode contar com Mikael Blomkvist que, para a ilibar, prepara um artigo sobre a conspiração que visa silenciá-la para sempre. E Mikael Blomkvist também não está sozinho nesta cruzada: Dragan Armanskij, o inspector Bublanski, Anika Gianini, entre outros, unem esforços para que se faça justiça. E Erika Berger? Será que Mikael pode contar com a sua ajuda, agora que também ela está a ser ameaçada? E quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?

A Minha Opinião

E está assim devorada e adorada a trilogia Millenium de Stieg Larsson ... Surpreendente e entusiasmante desde as primeiras páginas de Os Homens que Odeiam as Mulheres até ao último capítulo de A Rainha no Palácio das Correntes de Ar. Um verdadeiro feito que nem todos os autores têm a capacidade de alcançar, mas que Stieg Larsson conseguiu com mestria.

O que dizer deste último volume da trilogia? De todos os livros, penso que este foi aquele que acabou por ter mais altos e baixos. Houve coisas pelo meio, nomeadamente a explicação dos meandros da Secção e das pessoas que integravam essa organização, que pareciam arrastar-se e que quebravam o ritmo da história mas, o mais curioso, é que acho que tal não se deveu ao simples facto de nesses pontos o livro ser mais descritivo. A introdução de novas personagens, com nomes que tive alguma dificuldade em decorar, acabou por se revelar especialmente penoso para mim. Cheguei a um ponto em que já confundia quem é que trabalhava para quem e onde e de que lado é que estava!

Outro aspecto que, na minha opinião, não estava tão bem conseguido era a história de Erika. Por um lado, foi bom ficar a conhecê-la um pouco melhor e vê-la com uma vida separada da Millenium e do Mikael. No entanto, acho que acabou por ser um desenvolvimento completamente desnecessário, que pouco contribuiu para o avanço da história e que, provavelmente, teria poupado algumas páginas ao livro. Poder-se-ia, contudo, considerar que esta história acabou por ter os seus efeitos em Mikael, dado que ele começou a explorar outros horizontes, e que, de certa forma, permitiu criar uma estranha cumplicidade entre Lisbeth e Erika. 

Por fim, e no que diz respeito às últimas 150 páginas do livro, devo admitir que, apesar de ter gostado, achei tudo demasiado otimista e pouco realista. As peças encaixaram todas demasiado bem e, na vida real, isso dificilmente teria acontecido, especialmente se tivermos em conta a dimensão de toda esta operação. Para além disso, acho que o livro acabou por criar um suspense demasiado grande para o desenlace que se veio a verificar.

No entanto, houve aspectos que brilharam, especialmente os Cavaleiros da Távola Chanfrada, seja pela lealdade deste grupo de pessoas a Lisbeth, seja pelo facto de terem dado tudo por tudo para ajudá-la. Para além disso, a relação de Mikael e Lisbeth continuou a proporcionar dos meus momentos favoritos de toda a história. Apesar de lidarem pouco de forma direta - aliás, durante grande parte da história, apenas falaram através de computadores -, gostei bastante do facto de terem um impacto tão grande na vida um do outro e de se conhecerem suficientemente bem para estarem em sintonia no que faziam.

Em suma, uma boa conclusão para esta trilogia, apesar de ser impossível não ficar com vontade de ler mais sobre estas personagens. Enquanto policial, penso que estes foram dos melhores livros que já li dentro do género, não só pela história, mas também pelas suas personagens e pela forma como consegue manter o leitor preso às suas páginas desde o início até ao fim.

Classificação: 4 estrelas.

 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski

Sinopse

Raskólnikov, um estudante pobre e desesperado, vagueia pelos bairros degradados de São Petersburgo e comete um assassínio. A vítima é uma velha usurária. Raskólnikov imagina-se um grande homem, agindo por uma causa que está para além das convenções da lei moral e o coloca acima do comum dos mortais. O seu acto é praticado com uma mistura de sangue frio e exaltado misticismo. Mas quando inicia um jogo do gato e do rato com um polícia, Raskólnikov é cada vez mais perseguido pela voz da sua consciência. Apenas Sónia, uma prostituta, lhe concede a possibilidade de redenção.

O crime de Raskólnikov foi inspirado no assassínio de duas mulheres, com um machado, ocorrido em 1865. Mas, pela mão de Dostoievski, transforma-se numa intensa narrativa, um protagonista desenraizado em busca de afirmação, uma obra em que confluem elementos psicológicos, sociais, éticos e filosóficos.

A obra foi inicialmente publicada por capítulos, em 1866, no Mensageiro Russo.

A Minha Opinião

Escrever uma pequena review de Crime e Castigo não é tarefa fácil. Desde logo porque é um clássico da literatura russa (quase que poderia dizer incontornável) bastante elogiado, mas também porque é uma história verdadeiramente complexa, com personagens que dificilmente poderão ser caracterizadas como lineares e que levanta questões muito pertinentes do ponto de vista moral que não deixam de levar o leitor a ponderar sobre elas. No entanto, deixarei aqui a minha humilde opinião e as impressões com que fiquei ao ler esta obra.

"É a doença que engendra o crime ou é o próprio crime que, pela sua natureza especial, é sempre acompanhado por uma espécie de doença?". Esta é a questão que nos acompanha durante todo o livro e é aquela a que o leitor dedica grande parte da sua atenção. Como justificar o ato de Raskólnikov? Insanidade e miséria aliadas a uma mente perspicaz e a uma certa dose de amor próprio, parecem ter sido os seus motivos. Para além disso, a humilhação sentida pela sua pobreza, o abandono dos estudos por motivos financeiros e a sua tendência para evitar o contacto com a sociedade em geral, levam a que Raskólnikov entre numa espiral de delírios e alucinações que culminam no assassinato de duas mulheres. O próprio admite que não era por uma questão de dinheiro - o pouco que roubou, escondeu e nunca mais lhe tocou -, como mais tarde admite; foi apenas o simples facto de algo o seu código moral lhe conferir uma certa superiodade face às outras pessoas e lhe permitir a prática de um ato tão vil.

Claro que ao longo de toda esta obra Raskólnikov vai processando o que fez e as suas reações vão sofrendo algumas alterações, mas há duas personagens que se mostram essenciais  para o seu desenvolvimento e são elas Sónia, uma jovem prostituta, e Porfiri Petróvitch, juiz de instrução que investiga o duplo homicídio. Devo confessar que os meus momentos preferidos foram, precisamente, os diálogos e despiques entre este juiz e Raskólnikov. Gostei bastante de ver como cada um tentava perceber o que é o que o outro sabia e como tentavam antecipar os passos um do outro. Quanto a Sónia, apesar de ter percebido o quão fundamental foi Raskólnikov, não fiquei particularmente impressionada com ela. Havia algo nela que simplesmente que não me agradou e por isso a sua presença na história pareceu-me apenas tolerável. Por fim, como última personagem a merecer destaque aponto Razumíkhin.  A sua inocencia e credulidade, assim como a forma como se apaixonou pela irmã de Raskólnikov, acabou por dar a sua graça a toda a esta história.

Aponto, no entanto, como ponto negativo deste livro o facto de os nomes serem parecidos e de algumas personagens serem tratadas de diferentes formas, o que fez com a história ficasse meio confusa. O que vale é que no início do livro havia uma lista com todos os nomes e personagens, o que sempre foi uma excelente ajuda.

Em geral, gostei bastante deste livro e da forma como acabei por me deixar envolver por toda esta história. Apesar de reconhecer que pode não ter um estilo que agrade a toda a gente, especialmente por ser muito dado a descrições e de os diálogos nem sempre serem muito frequentes, penso que este é, sem dúvida, um clássico incontornável, principalmente para os fãs de literatura russa. No entanto, e no que diz respeito à obra de Dostoievksi, não creio que esta seja a melhor escolha para primeira leitura. 

A minha classificação deste livro é 4,5 estrelas. Apesar de considerar que é excelente e que tem uma história intensa, que nos leva a reflectir sobre muita coisa e de, em geral, ter gostado bastante desta leitura, confesso que não correspondeu totalmente às minhas expetativas e daí não dar as 5 estrelas.
 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

La Ciudad Ausente de Ricardo Piglia

Sinopse:

Junior es un periodista que investiga la máquina de Macedonio, un artefacto que empezó traduciendo relatos y acabó produciendo una obra autónoma. Ahora ha escapado a todo control y permanece bajo custodia del Museo, mientras el poder totalitario y la resistencia luchan por validar o convertir en apócrifas las producciones de la autómata. Quizá la verdad sobre su origen esconde en una historia de amor eterno, de cuyo hila tirará Junior hasta llegar a una isla extraña.


A Minha Opinião:

La Ciudad Ausente foi uma leitura com algumas surpresas. Pensava, muito sinceramente, que seria uma leitura relativamente rápida e apesar de já estar alertada para o facto de não ser um livro leve, não pensei que fosse tão complexo.

Com base na premissa, pensei que o livro seria uma mistura de policial com investigação jornalística, mas depois de lê-lo vejo que tal consideração acaba por ser algo redutora e que de forma alguma caracteriza o livro na sua plenitude. La Ciudad Ausente é muito mais do que isso. É uma história complexa que nos fala da relevância da linguagem e dos seus efeitos, que lida com a perda de alguém querido, abordando ainda a política e a forma como os governantes tentam passar a sua ideologia.

Para além disso, não é livro que se encontre orientado para o desenvolvimento das suas personagens. Estas são meros veículos através dos quais a história é contada, encontrando-se assim relegadas para um segundo plano. Aliás, tal é particularmente evidente na própria forma como são introduzidas e desenvolvidas na história. Junior, apesar de ser a personagem principal, acaba por ter pouco protagonismo e facilmente cede a sua posição a outras personagens ou a outras histórias. E mesmo quanto às outras personagens que vamos conhecendo ao longo do livro, ficamos sempre com a sensação que sabemos muito pouco sobre elas e que os que nos é dado a conhecer parece quase baseado em lendas ou que são meras teorias que procuram preencher as lacunas das suas biografias. Tudo isto acaba por criar um certo mistério à sua volta e leva-nos, inclusivamente, a questionar o que poderá ser real ou uma mera ilusão.

Finalmente, o próprio facto de no livro haver um grande cruzamento entre várias histórias levou-me a questionar, em certos momentos, o que era real e o que era fruto de uma divagação ou de um delírio de uma das personagens. Por um lado era interessante, na medida em que mesmo os momentos mais delirantes contribuíam para o desenvolvimento da história, mas por outro também fez com que o livro se tornasse um pouco confuso ... No entanto, gostei da inclusão de algumas das histórias criadas pela máquina de Macedonio, especialmente porque a mensagem inerente a cada uma delas era bastante forte.

Em suma, uma leitura interessante mas densa e apesar de ser um livro interessante e de reconhecer a sua qualidade, dou-lhe apenas 3 estrelas. Achei-o demasiado confuso em alguns momentos e pouco conclusivo. Fiquei com a sensação que pouco se resolveu quanto ao mistério da máquina de Macedonio e que toda a história parecia quase uma lenda ...



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Cinder de Marissa Meyer

Sinopse

Com dezasseis anos, Cinder é considerada pela sociedade como um erro tecnológico. Para a madrasta, é um fardo. No entanto, ser cyborg também tem algumas vantagens: as suas ligações cerebrais conferem-lhe uma prodigiosa capacidade para reparar aparelhos (autómatos, planadores, as suas partes defeituosas) e fazem dela a melhor especialista em mecânica de Nova Pequim. É esta reputação que leva o príncipe Kai a abordá-la na oficina onde trabalha, para que lhe repare um andróide antes do baile anual.

Em tom de gracejo, o príncipe diz tratar-se de «um caso de segurança nacional», mas Cinder desconfia que o assunto é mais sério do que dá a entender.

Ansiosa por impressionar o príncipe, as intenções de Cinder são transtornadas quando a irmã mais nova, e sua única amiga humana, é contagiada pela peste fatal que há uma década devasta a Terra. A madrasta de Cinder atribui-lhe a culpa da doença da filha e oferece o corpo da enteada como cobaia para as investigações clínicas relacionadas com a praga, uma «honra» à qual ninguém até então sobreviveu. Mas os cientistas não tardam a descobrir que a nova cobaia apresenta características que a tornam única. Uma particularidade pela qual há quem esteja disposto a matar.

A Minha Opinião

Cinder é um daqueles livros de que toda a gente fala, especialmente na comunidade de Booktubers, e que já há algum tempo despertava a minha curiosidade. Verdade seja dita, uma versão moderna da história da Cinderela ambientada numa Beijing futurista e que envolve cyborgs é daquelas combinações que de início podemos estranhar, mas que nos atraiem e que nos levam a pegar neste livro com algumas expectativas.

Confesso que não sabia muito bem o que esperar deste livro. O conceito parecia bastante interessante e invulgar, mas tinha algum receio de que a autora não tivesse conseguido concretizar esta ideia da melhor forma. Convenhamos, havia muita coisa que podia falhar! Felizmente, não foi esse o caso e Cinder acabou por se revelar uma leitura bastante agradável.
A ideia da história é bastante curiosa e cativante. É completamente inesperado colocar Cinderela (neste caso Cinder) num ambiente tão diferente da história original, mas penso que a autora fez um excelente trabalho. Era impossível não criar paralelismos com o que conhecía da história original, mas também não fiquei com a sensação que de era completamente despropositado ou inverosímil colocar Cinder neste novo ambiente. Fiquei, aliás, com a ideia de que a autora conseguiu criar uma harmonia interessante entre os elementos do ambiente original e os de Nova Beijing.
No entanto, há que reconhecer que existiam algumas falhas. Penso que a autora deixou no ar demasiadas questões, nomedamente quanto ao surgimento do povo dos Lunares e quanto ao que tinha originado o conflito com este povo, assim como também não ficou claro o porquê de tanto preconceito contra os cyborgs. Fiquei com a sensação de que a história estava inacabada e penso que isso acabou por comprometer as bases deste novo mundo, o que, em última instância, fez com que não ficasse completamente rendida à história.

Relativamente às personagens, devo admitir que não fiquei particularmente fascinada com Cinder. Achei-lhe alguma piada e gostei do facto de a sua história estar tão fiél ao original. No entanto, enquadrava-se no típico cliché da protagonista dos livros de YA e a sua história acabava por ser demasiado previsível; uma rapariga discreta, oprimida pela madrasta (uma personagem verdadeiramente desagradável e odiosa) que, no entanto, possuía uma conjunto de características que a tornavam única. Contudo, acho que era inevitável não cair neste padrão, especialmente porque Cinder não deixa de ser um conto de fadas, estilo que, geralmente, também entra neste tipo de clichés.

As minhas personagens preferidas foram, sem dúvida, Kai e Iko. O primeiro porque tinha ideias muito próprias, era bastante fiél ao seus princípios e porque, ao fim e ao cabo, sabia atribuir prioridades e tinha consciencia que, enquanto governante, havia que colocar o interesse e bem-estar do seu povo em primeiro lugar. Já Iko era verdadeiramente adorável. Não pude evitar alguns sorrisos nos momentos protagonizados por esta personagem e gostei bastante da sua amizade com Cinder e do facto de ser tão protectora em relação a ela.

Finalmente, devo ainda acrescentar que, apesar de se um livro que se lê bastante bem e que nos cativa desde o princípio, houve momento em que desliguei um pouco e que li sem prestar grande atenção. Havia alguns detalhes relacionados com mecânica e com robots/cyborgs que me passaram ao lado e nesses momentos confesso que li simplesmente por ler e porque tinha de avançar para o próximo capítulo ...

Em geral, uma distopia diferente que nos leva a ver um clássico infantil de uma outra forma, em que nem tudo é cor de rosa e com um final feliz. O cruzamento entre o típico conto de fadas com as distopias de YA resulta bastante bem em Cinder e, apesar de ser uma história com algumas falhas, recomendo a leitura deste livro.

Classificação: 3 estrelas

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Os Mágicos de Lev Grossman

Sinopse

Quentin Coldwater, um aluno do liceu intelectualmente precoce, foge ao tédio da vida diária lendo e relendo uma série de livros de fantasia passados num país encantado chamado Fillory. Como toda a gente, o jovem parte do princípio de que a magia não é real, até que se vê de repente admitido num colégio de magia muito secreto e muito exclusivo, a norte de Nova Iorque. Ao atravessar uma viela de Brooklyn, no Inverno, Quentin vê-se, em pleno fim de Verão, nos terrenos do idílico Colégio de Pedagogia Mágica de Brakebills e depois de passar por um difícil exame de admissão, inicia um complicado e rigoroso curso de feitiçaria moderna, ao mesmo tempo que descobre as alegrias da vida escolar: amizade, amor, sexo e bebida. Porém, falta-lhe qualquer coisa. Ao mesmo tempo que aprende a lançar feitiços, a transformar-se em animal e a adquirir poderes com que nunca sonhara, Quentin descobre que a magia não lhe dá a felicidade e a aventura com que sonhava.

A Minha Opinião

Pensava, talvez ingenuamente, que enquanto fã de Harry Potter, Os Mágicos seria o livro ideal para mim. As semelhanças estavam lá - rapaz insatisfeito com o mundo real que é aceite para uma escola de magia (é-vos familiar?) - e a inclusão de alguns elementos que tornavam, aparentemente, a história mais adulta, aliciou-me bastante. No entanto, e tal como explicarei ao longo desta review, fiquei desapontada (e um pouco irritada) com este livro.

Começando pelos aspetos positivos. O livro encontra-se dividido em 4 partes e a primeira é, sem dúvida, a melhor. Durante esta fase, Quentin inicia a sua formação mágica em Brakebills e temos a oportunidade de acompanhá-lo nas suas aulas e no seu dia a dia com os seus colegas (algo excêntricos, devo admitir). Foi a parte que mais se aproximou da magia que existia em Harry Potter. Era impossível não associar ao ambiente e ritmo de Hogwarts e o grupo de amigos - Quentin, Alice, Elliot, Janet e Josh - fez-me lembrar, em certos momentos, Harry, Ron e Hermione.

No entanto, mesmo em relação a esta fase da história, tenho de apontar alguns defeitos. No início ainda percebi a permanente insatisfação de Quentin e a sua necessidade de sair da rotina a que a sua vida se encontrava presa. No entanto, em Brakebills, essa atitude mantém-se, mesmo quando exposto a coisas que, na realidade, deveriam tirá-lo desse estado de espírito. No entanto, se este fosse o único problema a registar, eu até teria conseguido apreciar o resto da história. O pior é que também os amigos de Quentin padeciam do mesmo mal, mostrando-se especialmente apologistas do método de afogar as mágoas (acho que nem sequer se deva falar em mágoas, mas enfim) com todo o tipo de álcool a que conseguissem deitar as mãos. A história chegou a um ponto em que se centrava mais no tipo de vinho que estavam a beber do que propriamente nas aulas ou no que estavam a estudar. 

Infelizmente, esta tendência continuou depois na segunda parte. Aqui as personagens já não se limitavam a consumir quantidades desmesuradas de álcool, optando por também experimentar todo o tipo de drogas a que tinham acesso. Resultado: um grupo de adultos irritantes que se comportavam como fedelhos mimados e que achavam que tudo era permitido, dado que essa é que era a verdadeira forma de aproveitar a vida. 

O único sinal de recuperação da história surgiu com a sua ida a Fillory (já na terceira parte do livro). Nesta altura já estava farta das imbecilidades das personagens, mas ainda assim consegui achar alguma piada à sua aventura. No entanto, penso que apesar dos elementos mais fantasiosos, a história não conseguiu prender a minha atenção e ficou longe de me encantar. Para além disso, achei que nesta fase o cruzamento de mundos acabou por ser um pouco confusa em certos momentos e muito pouco apelativa.

Penso, muito sinceramente, que a última parte foi aquela em que deixei de estar tão irritada com Quentin (apesar de ele continuar insatisfeito com a sua vida). Parecia ter amadurecido um pouco e não estar tão preso a infantilidades, tal como tinha acontecido durante praticamente toda a história. 

No geral, este livro foi uma desilusão. Penso que quem pega nesta história pensando que é uma espécie de continuação da magia de Harry Potter, mas agora num contexto mais adulto, ficará igualmente desiludido. É, essencialmente, uma história de pessoas imaturas, que bebem demasiado e que passam maior parte do tempo alcoolizados ou ressacados e que pensam que têm o direito de agir como lhes apetece, simplesmente porque são mágicos e porque não têm que lidar com preocupações mundanas como dinheiro. Para além disso, Quentin é, possivelmente, a personagem mais irritante que alguma vez encontrei num livro, fosse pela sua permanente insatisfação com o mundo, pelas suas crises existenciais ou pelo simples facto de ser um egocêntrico que apenas pensava em sí e que ignorava por completo os sentimentos dos que o rodeavam.

Em suma, um livro que dificilmente recomendo. Dou-lhe 2,5 estrelas pelo simples facto de ter gostado da parte de Brakebills, porque de outra forma daria menos.