Sinopse
Raskólnikov, um
estudante pobre e desesperado, vagueia pelos bairros degradados de São
Petersburgo e comete um assassínio. A vítima é uma velha usurária.
Raskólnikov imagina-se um grande homem, agindo por uma causa que está
para além das convenções da lei moral e o coloca acima do comum dos
mortais. O seu acto é praticado com uma mistura de sangue frio e
exaltado misticismo. Mas quando inicia um jogo do gato e do rato com um
polícia, Raskólnikov é cada vez mais perseguido pela voz da sua
consciência. Apenas Sónia, uma prostituta, lhe concede a possibilidade
de redenção.
O crime de Raskólnikov foi inspirado no assassínio de duas mulheres, com um machado, ocorrido em 1865. Mas, pela mão de Dostoievski, transforma-se numa intensa narrativa, um protagonista desenraizado em busca de afirmação, uma obra em que confluem elementos psicológicos, sociais, éticos e filosóficos.
A obra foi inicialmente publicada por capítulos, em 1866, no Mensageiro Russo.
A Minha Opinião
Escrever uma pequena review de Crime e Castigo não é tarefa fácil. Desde logo porque é um clássico da literatura russa (quase que poderia dizer incontornável) bastante elogiado, mas também porque é uma história verdadeiramente complexa, com personagens que dificilmente poderão ser caracterizadas como lineares e que levanta questões muito pertinentes do ponto de vista moral que não deixam de levar o leitor a ponderar sobre elas. No entanto, deixarei aqui a minha humilde opinião e as impressões com que fiquei ao ler esta obra.
"É a doença que engendra o crime ou é o próprio crime que, pela sua natureza especial, é sempre acompanhado por uma espécie de doença?". Esta é a questão que nos acompanha durante todo o livro e é aquela a que o leitor dedica grande parte da sua atenção. Como justificar o ato de Raskólnikov? Insanidade e miséria aliadas a uma mente perspicaz e a uma certa dose de amor próprio, parecem ter sido os seus motivos. Para além disso, a humilhação sentida pela sua pobreza, o abandono dos estudos por motivos financeiros e a sua tendência para evitar o contacto com a sociedade em geral, levam a que Raskólnikov entre numa espiral de delírios e alucinações que culminam no assassinato de duas mulheres. O próprio admite que não era por uma questão de dinheiro - o pouco que roubou, escondeu e nunca mais lhe tocou -, como mais tarde admite; foi apenas o simples facto de algo o seu código moral lhe conferir uma certa superiodade face às outras pessoas e lhe permitir a prática de um ato tão vil.
Claro que ao longo de toda esta obra Raskólnikov vai processando o que fez e as suas reações vão sofrendo algumas alterações, mas há duas personagens que se mostram essenciais para o seu desenvolvimento e são elas Sónia, uma jovem prostituta, e Porfiri Petróvitch, juiz de instrução que investiga o duplo homicídio. Devo confessar que os meus momentos preferidos foram, precisamente, os diálogos e despiques entre este juiz e Raskólnikov. Gostei bastante de ver como cada um tentava perceber o que é o que o outro sabia e como tentavam antecipar os passos um do outro. Quanto a Sónia, apesar de ter percebido o quão fundamental foi Raskólnikov, não fiquei particularmente impressionada com ela. Havia algo nela que simplesmente que não me agradou e por isso a sua presença na história pareceu-me apenas tolerável. Por fim, como última personagem a merecer destaque aponto Razumíkhin. A sua inocencia e credulidade, assim como a forma como se apaixonou pela irmã de Raskólnikov, acabou por dar a sua graça a toda a esta história.
Aponto, no entanto, como ponto negativo deste livro o facto de os nomes serem parecidos e de algumas personagens serem tratadas de diferentes formas, o que fez com a história ficasse meio confusa. O que vale é que no início do livro havia uma lista com todos os nomes e personagens, o que sempre foi uma excelente ajuda.
Em geral, gostei bastante deste livro e da forma como acabei por me deixar envolver por toda esta história. Apesar de reconhecer que pode não ter um estilo que agrade a toda a gente, especialmente por ser muito dado a descrições e de os diálogos nem sempre serem muito frequentes, penso que este é, sem dúvida, um clássico incontornável, principalmente para os fãs de literatura russa. No entanto, e no que diz respeito à obra de Dostoievksi, não creio que esta seja a melhor escolha para primeira leitura.
A minha classificação deste livro é 4,5 estrelas. Apesar de considerar que é excelente e que tem uma história intensa, que nos leva a reflectir sobre muita coisa e de, em geral, ter gostado bastante desta leitura, confesso que não correspondeu totalmente às minhas expetativas e daí não dar as 5 estrelas.









