quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
As Minhas Músicas (7)
Simplesmente porque queria ouvir uma música que me fizesse esboçar um sorriso.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Maratona Literária Viagens (In)Esperadas: Desafio 8
Desafio 8: Faz um balanço final das tuas leituras. Quantos livros/países leste? Qual o número total de páginas lidas?
E mais uma maratona literária chega ao fim, mas desta vez estou orgulhosa de mim porque consegui cumprir os meus planos. No início desafiei-me a ler Glitches, de Marissa Meyer e a terminar Crime e Castigo de Dostoievski e La Ciudad Ausente de Ricardo Piglia. Consegui cumprir este meu plano e desta forma consegui "viajar" por 3 países: EUA, Rússia e Argentina. A nível de páginas, o resultado é modesto: apenas 279 páginas.
Mais uma vez dou os meus parabéns à Catarina e à Silvana pelo excelente trabalho que têm feito com estas maratonas :)
Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski
Sinopse
Raskólnikov, um
estudante pobre e desesperado, vagueia pelos bairros degradados de São
Petersburgo e comete um assassínio. A vítima é uma velha usurária.
Raskólnikov imagina-se um grande homem, agindo por uma causa que está
para além das convenções da lei moral e o coloca acima do comum dos
mortais. O seu acto é praticado com uma mistura de sangue frio e
exaltado misticismo. Mas quando inicia um jogo do gato e do rato com um
polícia, Raskólnikov é cada vez mais perseguido pela voz da sua
consciência. Apenas Sónia, uma prostituta, lhe concede a possibilidade
de redenção.
O crime de Raskólnikov foi inspirado no assassínio de duas mulheres, com um machado, ocorrido em 1865. Mas, pela mão de Dostoievski, transforma-se numa intensa narrativa, um protagonista desenraizado em busca de afirmação, uma obra em que confluem elementos psicológicos, sociais, éticos e filosóficos.
A obra foi inicialmente publicada por capítulos, em 1866, no Mensageiro Russo.
A Minha Opinião
Escrever uma pequena review de Crime e Castigo não é tarefa fácil. Desde logo porque é um clássico da literatura russa (quase que poderia dizer incontornável) bastante elogiado, mas também porque é uma história verdadeiramente complexa, com personagens que dificilmente poderão ser caracterizadas como lineares e que levanta questões muito pertinentes do ponto de vista moral que não deixam de levar o leitor a ponderar sobre elas. No entanto, deixarei aqui a minha humilde opinião e as impressões com que fiquei ao ler esta obra.
"É a doença que engendra o crime ou é o próprio crime que, pela sua natureza especial, é sempre acompanhado por uma espécie de doença?". Esta é a questão que nos acompanha durante todo o livro e é aquela a que o leitor dedica grande parte da sua atenção. Como justificar o ato de Raskólnikov? Insanidade e miséria aliadas a uma mente perspicaz e a uma certa dose de amor próprio, parecem ter sido os seus motivos. Para além disso, a humilhação sentida pela sua pobreza, o abandono dos estudos por motivos financeiros e a sua tendência para evitar o contacto com a sociedade em geral, levam a que Raskólnikov entre numa espiral de delírios e alucinações que culminam no assassinato de duas mulheres. O próprio admite que não era por uma questão de dinheiro - o pouco que roubou, escondeu e nunca mais lhe tocou -, como mais tarde admite; foi apenas o simples facto de algo o seu código moral lhe conferir uma certa superiodade face às outras pessoas e lhe permitir a prática de um ato tão vil.
Claro que ao longo de toda esta obra Raskólnikov vai processando o que fez e as suas reações vão sofrendo algumas alterações, mas há duas personagens que se mostram essenciais para o seu desenvolvimento e são elas Sónia, uma jovem prostituta, e Porfiri Petróvitch, juiz de instrução que investiga o duplo homicídio. Devo confessar que os meus momentos preferidos foram, precisamente, os diálogos e despiques entre este juiz e Raskólnikov. Gostei bastante de ver como cada um tentava perceber o que é o que o outro sabia e como tentavam antecipar os passos um do outro. Quanto a Sónia, apesar de ter percebido o quão fundamental foi Raskólnikov, não fiquei particularmente impressionada com ela. Havia algo nela que simplesmente que não me agradou e por isso a sua presença na história pareceu-me apenas tolerável. Por fim, como última personagem a merecer destaque aponto Razumíkhin. A sua inocencia e credulidade, assim como a forma como se apaixonou pela irmã de Raskólnikov, acabou por dar a sua graça a toda a esta história.
Aponto, no entanto, como ponto negativo deste livro o facto de os nomes serem parecidos e de algumas personagens serem tratadas de diferentes formas, o que fez com a história ficasse meio confusa. O que vale é que no início do livro havia uma lista com todos os nomes e personagens, o que sempre foi uma excelente ajuda.
Em geral, gostei bastante deste livro e da forma como acabei por me deixar envolver por toda esta história. Apesar de reconhecer que pode não ter um estilo que agrade a toda a gente, especialmente por ser muito dado a descrições e de os diálogos nem sempre serem muito frequentes, penso que este é, sem dúvida, um clássico incontornável, principalmente para os fãs de literatura russa. No entanto, e no que diz respeito à obra de Dostoievksi, não creio que esta seja a melhor escolha para primeira leitura.
A minha classificação deste livro é 4,5 estrelas. Apesar de considerar que é excelente e que tem uma história intensa, que nos leva a reflectir sobre muita coisa e de, em geral, ter gostado bastante desta leitura, confesso que não correspondeu totalmente às minhas expetativas e daí não dar as 5 estrelas.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Maratona Literária Viagens (In)Esperadas: Desafios 5 a 7
Desafio 5: Que imagem escolherias para uma capa alternativa do livro que estás a ler (sugerido pela Cláudia Oliveira).
Honestamente, penso que escolheria a capa do Penguin Classics. Tem ar um meio arrepiante e penso que, de certa forma, isso condiz com a própria história de Crime e Castigo. O acto de Raskólnikov é verdadeiramente arrepiante, assim como a forma como o justifica ...
Desafio 6: De que país é o autor do livro que estás a ler? É a primeira vez que lês
um livro de um autor com essa nacionalidade? Se não, deixa algumas
recomendações de bons livros desse país ou os últimos livros que
gostaste desse país?
Dostoievski é um dos escritores clássicos da literatura russa e este não é o primeiro livro que leio deste autor. Um dos livros que recomendaria é O Jogador, também dele. Para além disso, também já li Doutor Jivago de Boris Pasternak. Não achei que fosse um livro extraordinário, mas para quem gosta de literatura russa, penso que é incontornável.
Desafio 7: Mostra-nos 3 livros de 3 países diferentes de um só continente que gostarias de ler/comprar.
Continente: América (Norte e Sul) - eu sei que isto é fazer alguma batota, mas não resisti ;)
- Chroniques de Jerusalem de Guy Delisie: crónica de viagem de um escritor canadiense contada em banda desenhada.
- Ready Player One de Ernest Cline: livro super badalado no Youtube e que me tem despertado muita curiosidade. O autor é norte-americano.
- El Testigo Invisible de Carmen Posadas: a autora nasceu no Uruguai e este livro falá-nos da família Romanov e no seu assassinato.
Boas leituras e até ao próximo post :)
sábado, 22 de fevereiro de 2014
La Ciudad Ausente de Ricardo Piglia
Sinopse:
A Minha Opinião:
Junior es un periodista
que investiga la máquina de Macedonio, un artefacto que empezó
traduciendo relatos y acabó produciendo una obra autónoma. Ahora ha
escapado a todo control y permanece bajo custodia del Museo, mientras el
poder totalitario y la resistencia luchan por validar o convertir en
apócrifas las producciones de la autómata. Quizá la verdad sobre su
origen esconde en una historia de amor eterno, de cuyo hila tirará
Junior hasta llegar a una isla extraña.
A Minha Opinião:
La Ciudad Ausente foi uma leitura com algumas surpresas. Pensava, muito sinceramente, que seria uma leitura relativamente rápida e apesar de já estar alertada para o facto de não ser um livro leve, não pensei que fosse tão complexo.
Com base na premissa, pensei que o livro seria uma mistura de policial com investigação jornalística, mas depois de lê-lo vejo que tal consideração acaba por ser algo redutora e que de forma alguma caracteriza o livro na sua plenitude. La Ciudad Ausente é muito mais do que isso. É uma história complexa que nos fala da relevância da linguagem e dos seus efeitos, que lida com a perda de alguém querido, abordando ainda a política e a forma como os governantes tentam passar a sua ideologia.
Para além disso, não é livro que se encontre orientado para o desenvolvimento das suas personagens. Estas são meros veículos através dos quais a história é contada, encontrando-se assim relegadas para um segundo plano. Aliás, tal é particularmente evidente na própria forma como são introduzidas e desenvolvidas na história. Junior, apesar de ser a personagem principal, acaba por ter pouco protagonismo e facilmente cede a sua posição a outras personagens ou a outras histórias. E mesmo quanto às outras personagens que vamos conhecendo ao longo do livro, ficamos sempre com a sensação que sabemos muito pouco sobre elas e que os que nos é dado a conhecer parece quase baseado em lendas ou que são meras teorias que procuram preencher as lacunas das suas biografias. Tudo isto acaba por criar um certo mistério à sua volta e leva-nos, inclusivamente, a questionar o que poderá ser real ou uma mera ilusão.
Finalmente, o próprio facto de no livro haver um grande cruzamento entre várias histórias levou-me a questionar, em certos momentos, o que era real e o que era fruto de uma divagação ou de um delírio de uma das personagens. Por um lado era interessante, na medida em que mesmo os momentos mais delirantes contribuíam para o desenvolvimento da história, mas por outro também fez com que o livro se tornasse um pouco confuso ... No entanto, gostei da inclusão de algumas das histórias criadas pela máquina de Macedonio, especialmente porque a mensagem inerente a cada uma delas era bastante forte.
Em suma, uma leitura interessante mas densa e apesar de ser um livro interessante e de reconhecer a sua qualidade, dou-lhe apenas 3 estrelas. Achei-o demasiado confuso em alguns momentos e pouco conclusivo. Fiquei com a sensação que pouco se resolveu quanto ao mistério da máquina de Macedonio e que toda a história parecia quase uma lenda ...
Maratona Literária Viagens (In)Esperadas: Desafio 4
Desafio 4: Que estás a achar do livro que estás a ler? Que palavra, na língua do autor, usarías para descrever o livro?
Bom, neste momento só me resta mesmo Crime e Castigo, livro que já estou quase a terminar e que tem sido uma leitura mais envolvente do que inicialmente esperava. Penso que levanta questões que levanta são bastantes interessantes e que levam qualquer um a pensar sobre elas, característica que gosto de encontrar nos livros que leio.
Quanto a uma palavra que descreva o livro претендент (pretendent) que significa desafiador (ou pelo menos espero que signifique lol) e escolho esta palavra por dois motivos: em primeiro lugar porque penso que, em si, a leitura deste livro constitui um verdadeiro desafio. Não é muito fácil entrar na história e as descrições e divagações de Raskólnikov podem não apelar a toda a gente. Pessoalmente gosto, mas reconheço que não é algo de que toda a gente goste. Para além disso, considero que este livro é desafiador pelas questões que suscita.
Boas leituras e até ao próximo post :)
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Maratona Literária Viagens (In)Esperadas: Desafio 3
Desafio 3: Que personagem serias do livro que estás a ler ou que já leste para a maratona?
Neste momento tenho dois livros pendentes, Crime e Castigo e La Ciudad Ausente. Apesar de estar a gostar bastante do primeiro, não existe nenhuma personagem com a qual me identifique, apesar de gostar dos dilemas de Raskólnikov.
Identifico-me mais com Junior de La Ciudad Ausente. Ele é jornalista e é daquelas pessoas que não descansa enquanto não conseguir perceber ou resolver as pistas que lhe dão ou as histórias que está a investigar e eu acabo por ser um pouco assim. Sou uma pessoa bastante curiosa e assim que vejo algo que me desperte interesse, tento saber tudo o que posso sobre esse assunto e não descanso enquanto não me sentir plenamente satisfeita. Por isso a ter de escolher uma personagem, escolho Junior.
Boas leituras e até ao próximo post :)








