sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

#Friday Reads (24)

Começa este fim de semana - dia 1 de Março - mais uma maratona literária promovida pelo grupo do Goodreads. A 42º maratona será novamente em equipas e terá como desafio opcional ler um livro cuja ação decorra num local tipicamente carnavalesco - Brasil, Noa Orleães, Veneza ... Muito sinceramente, não sei se irei completar este desafio ...

Este fim de semana irei começar a minha maratona com A Rainha no Palácio das Correntes de Ar de Stieg Larsson. Já comecei este livro e, até agora, li sencivelmente um terço da história. A ideia é conseguir avançar o máximo possível durante estes dias, para na próxima semana já estar a pegar noutros livros para as maratonas literárias (sim, porque vai haver uma outra maratona das Viagens (In)Esperadas hehe).

Deixo aqui a sinopse do livro:

Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, completamente impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isto não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas… Entretanto, mantêm-se as movimentações secretas de alguns elementos da Säpo, a polícia de segurança sueca. Para se manter incógnita, esta gente que actua na sombra está determinada a eliminar todos os que se atravessam no seu caminho. Mas nem tudo podia ser mau: Lisbeth pode contar com Mikael Blomkvist que, para a ilibar, prepara um artigo sobre a conspiração que visa silenciá-la para sempre. E Mikael Blomkvist também não está sozinho nesta cruzada: Dragan Armanskij, o inspector Bublanski, Anika Gianini, entre outros, unem esforços para que se faça justiça. E Erika Berger? Será que Mikael pode contar com a sua ajuda, agora que também ela está a ser ameaçada? E quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?

Até ao próximo post e boas leituras :)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Book to Movie: The Book Thief

Uma das minhas leituras preferidas de 2013 foi A Rapariga que Roubava Livros de Markus Zusak. Tem uma história fantástica, que nos envolve desde as primeiras páginas e que nos cativa pela sua perspetiva única e pelas suas personagens. É um livro que, à primeira vista, pode parecer ligeiro ou orientado para um público mais jovem, mas facilmente percebemos que é uma história complexa, especialmente no que diz respeito ao comportamento humano e às mensagens que estão inerentes a toda a narrativa do autor.

Quando soube que iria sair uma adaptação cinematográfica deste livro fiquei um pouco dividida. Por um lado, queria associar imagens ao que tinha lido e comprovar se o que tinha imaginado correspondia à visão do realizador. Contudo, também estava com algum receio que não conseguissem transmitir a essência da história e de o filme não fazer a devida justiça ao livro e às suas personagens. Tentei não elevar demasiado as minhas expetativas e por isso no fim de semana passado decidi, finalmente, ver o filme. 

Apesar de em geral ter gostado do filme e de achar que Geoffrey Rush foi uma excelente escolha para o papel de Hans Hubermann, acabei por ficar algo desiludida com alguns aspectos. Penso que o filme se centrou demasiado na amizade de Liesel e de Max e não tanto na sua relação com Hans, para além de que este acabou por ter um papel muito mais secundário no filme do que no livro. No entanto, admito que possa ter ficado com essa impressão porque Hans era a minha personagem preferida e por isso esperava que tivesse um papel mais central no filme ... 

No entanto, reconheço que a cumplicidade entre Liesel e Max transpareceu bastante bem no grande ecrã. Para além disso, destaco ainda Rudy. Gostei bastante de Nico Liersch, da forma como encarnou essa personagem tão sonhadora e protetora de Liesel, assim como da sua amizade com ela.

Em suma, um bom filme que vale a pena ver mas que, na minha opinião, não enche as medidas da mesma forma que o livro.

Classificação: 4 estrelas.

 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

As Minhas Músicas (7)

Simplesmente porque queria ouvir uma música que me fizesse esboçar um sorriso.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Maratona Literária Viagens (In)Esperadas: Desafio 8




Desafio 8: Faz um balanço final das tuas leituras. Quantos livros/países leste? Qual o número total de páginas lidas?

E mais uma maratona literária chega ao fim, mas desta vez estou orgulhosa de mim porque consegui cumprir os meus planos. No início desafiei-me a ler Glitches, de Marissa Meyer e a terminar Crime e Castigo de Dostoievski e La Ciudad Ausente de Ricardo Piglia. Consegui cumprir este meu plano e desta forma consegui "viajar" por 3 países: EUA, Rússia e Argentina. A nível de páginas, o resultado é modesto: apenas 279 páginas.

Mais uma vez dou os meus parabéns à Catarina e à Silvana pelo excelente trabalho que têm feito com estas maratonas :)



Crime e Castigo de Fiódor Dostoievski

Sinopse

Raskólnikov, um estudante pobre e desesperado, vagueia pelos bairros degradados de São Petersburgo e comete um assassínio. A vítima é uma velha usurária. Raskólnikov imagina-se um grande homem, agindo por uma causa que está para além das convenções da lei moral e o coloca acima do comum dos mortais. O seu acto é praticado com uma mistura de sangue frio e exaltado misticismo. Mas quando inicia um jogo do gato e do rato com um polícia, Raskólnikov é cada vez mais perseguido pela voz da sua consciência. Apenas Sónia, uma prostituta, lhe concede a possibilidade de redenção.

O crime de Raskólnikov foi inspirado no assassínio de duas mulheres, com um machado, ocorrido em 1865. Mas, pela mão de Dostoievski, transforma-se numa intensa narrativa, um protagonista desenraizado em busca de afirmação, uma obra em que confluem elementos psicológicos, sociais, éticos e filosóficos.

A obra foi inicialmente publicada por capítulos, em 1866, no Mensageiro Russo.

A Minha Opinião

Escrever uma pequena review de Crime e Castigo não é tarefa fácil. Desde logo porque é um clássico da literatura russa (quase que poderia dizer incontornável) bastante elogiado, mas também porque é uma história verdadeiramente complexa, com personagens que dificilmente poderão ser caracterizadas como lineares e que levanta questões muito pertinentes do ponto de vista moral que não deixam de levar o leitor a ponderar sobre elas. No entanto, deixarei aqui a minha humilde opinião e as impressões com que fiquei ao ler esta obra.

"É a doença que engendra o crime ou é o próprio crime que, pela sua natureza especial, é sempre acompanhado por uma espécie de doença?". Esta é a questão que nos acompanha durante todo o livro e é aquela a que o leitor dedica grande parte da sua atenção. Como justificar o ato de Raskólnikov? Insanidade e miséria aliadas a uma mente perspicaz e a uma certa dose de amor próprio, parecem ter sido os seus motivos. Para além disso, a humilhação sentida pela sua pobreza, o abandono dos estudos por motivos financeiros e a sua tendência para evitar o contacto com a sociedade em geral, levam a que Raskólnikov entre numa espiral de delírios e alucinações que culminam no assassinato de duas mulheres. O próprio admite que não era por uma questão de dinheiro - o pouco que roubou, escondeu e nunca mais lhe tocou -, como mais tarde admite; foi apenas o simples facto de algo o seu código moral lhe conferir uma certa superiodade face às outras pessoas e lhe permitir a prática de um ato tão vil.

Claro que ao longo de toda esta obra Raskólnikov vai processando o que fez e as suas reações vão sofrendo algumas alterações, mas há duas personagens que se mostram essenciais  para o seu desenvolvimento e são elas Sónia, uma jovem prostituta, e Porfiri Petróvitch, juiz de instrução que investiga o duplo homicídio. Devo confessar que os meus momentos preferidos foram, precisamente, os diálogos e despiques entre este juiz e Raskólnikov. Gostei bastante de ver como cada um tentava perceber o que é o que o outro sabia e como tentavam antecipar os passos um do outro. Quanto a Sónia, apesar de ter percebido o quão fundamental foi Raskólnikov, não fiquei particularmente impressionada com ela. Havia algo nela que simplesmente que não me agradou e por isso a sua presença na história pareceu-me apenas tolerável. Por fim, como última personagem a merecer destaque aponto Razumíkhin.  A sua inocencia e credulidade, assim como a forma como se apaixonou pela irmã de Raskólnikov, acabou por dar a sua graça a toda a esta história.

Aponto, no entanto, como ponto negativo deste livro o facto de os nomes serem parecidos e de algumas personagens serem tratadas de diferentes formas, o que fez com a história ficasse meio confusa. O que vale é que no início do livro havia uma lista com todos os nomes e personagens, o que sempre foi uma excelente ajuda.

Em geral, gostei bastante deste livro e da forma como acabei por me deixar envolver por toda esta história. Apesar de reconhecer que pode não ter um estilo que agrade a toda a gente, especialmente por ser muito dado a descrições e de os diálogos nem sempre serem muito frequentes, penso que este é, sem dúvida, um clássico incontornável, principalmente para os fãs de literatura russa. No entanto, e no que diz respeito à obra de Dostoievksi, não creio que esta seja a melhor escolha para primeira leitura. 

A minha classificação deste livro é 4,5 estrelas. Apesar de considerar que é excelente e que tem uma história intensa, que nos leva a reflectir sobre muita coisa e de, em geral, ter gostado bastante desta leitura, confesso que não correspondeu totalmente às minhas expetativas e daí não dar as 5 estrelas.
 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Maratona Literária Viagens (In)Esperadas: Desafios 5 a 7

Desafio 5: Que imagem escolherias para uma capa alternativa do livro que estás a ler (sugerido pela Cláudia Oliveira).

Honestamente, penso que escolheria a capa do Penguin Classics. Tem ar um meio arrepiante e penso que, de certa forma, isso condiz com a própria história de Crime e Castigo. O acto de Raskólnikov é verdadeiramente arrepiante, assim como a forma como o justifica ...


Desafio 6: De que país é o autor do livro que estás a ler? É a primeira vez que lês um livro de um autor com essa nacionalidade? Se não, deixa algumas recomendações de bons livros desse país ou os últimos livros que gostaste desse país?

Dostoievski é um dos escritores clássicos da literatura russa e este não é o primeiro livro que leio deste autor. Um dos livros que recomendaria é O Jogador, também dele. Para além disso, também já li Doutor Jivago de Boris Pasternak. Não achei que fosse um livro extraordinário, mas para quem gosta de literatura russa, penso que é incontornável.




Desafio 7: Mostra-nos 3 livros de 3 países diferentes de um só continente que gostarias de ler/comprar. 

Continente: América (Norte e Sul)  - eu sei que isto é fazer alguma batota, mas não resisti ;)


  •  Chroniques de Jerusalem de Guy Delisie: crónica de viagem de um escritor canadiense contada em banda desenhada.
  • Ready Player One de Ernest Cline: livro super badalado no Youtube e que me tem despertado muita curiosidade. O autor é norte-americano.
  • El Testigo Invisible de Carmen Posadas: a autora nasceu no Uruguai e este livro falá-nos da família Romanov e no seu assassinato.
 Boas leituras e até ao próximo post :)

sábado, 22 de fevereiro de 2014

La Ciudad Ausente de Ricardo Piglia

Sinopse:

Junior es un periodista que investiga la máquina de Macedonio, un artefacto que empezó traduciendo relatos y acabó produciendo una obra autónoma. Ahora ha escapado a todo control y permanece bajo custodia del Museo, mientras el poder totalitario y la resistencia luchan por validar o convertir en apócrifas las producciones de la autómata. Quizá la verdad sobre su origen esconde en una historia de amor eterno, de cuyo hila tirará Junior hasta llegar a una isla extraña.


A Minha Opinião:

La Ciudad Ausente foi uma leitura com algumas surpresas. Pensava, muito sinceramente, que seria uma leitura relativamente rápida e apesar de já estar alertada para o facto de não ser um livro leve, não pensei que fosse tão complexo.

Com base na premissa, pensei que o livro seria uma mistura de policial com investigação jornalística, mas depois de lê-lo vejo que tal consideração acaba por ser algo redutora e que de forma alguma caracteriza o livro na sua plenitude. La Ciudad Ausente é muito mais do que isso. É uma história complexa que nos fala da relevância da linguagem e dos seus efeitos, que lida com a perda de alguém querido, abordando ainda a política e a forma como os governantes tentam passar a sua ideologia.

Para além disso, não é livro que se encontre orientado para o desenvolvimento das suas personagens. Estas são meros veículos através dos quais a história é contada, encontrando-se assim relegadas para um segundo plano. Aliás, tal é particularmente evidente na própria forma como são introduzidas e desenvolvidas na história. Junior, apesar de ser a personagem principal, acaba por ter pouco protagonismo e facilmente cede a sua posição a outras personagens ou a outras histórias. E mesmo quanto às outras personagens que vamos conhecendo ao longo do livro, ficamos sempre com a sensação que sabemos muito pouco sobre elas e que os que nos é dado a conhecer parece quase baseado em lendas ou que são meras teorias que procuram preencher as lacunas das suas biografias. Tudo isto acaba por criar um certo mistério à sua volta e leva-nos, inclusivamente, a questionar o que poderá ser real ou uma mera ilusão.

Finalmente, o próprio facto de no livro haver um grande cruzamento entre várias histórias levou-me a questionar, em certos momentos, o que era real e o que era fruto de uma divagação ou de um delírio de uma das personagens. Por um lado era interessante, na medida em que mesmo os momentos mais delirantes contribuíam para o desenvolvimento da história, mas por outro também fez com que o livro se tornasse um pouco confuso ... No entanto, gostei da inclusão de algumas das histórias criadas pela máquina de Macedonio, especialmente porque a mensagem inerente a cada uma delas era bastante forte.

Em suma, uma leitura interessante mas densa e apesar de ser um livro interessante e de reconhecer a sua qualidade, dou-lhe apenas 3 estrelas. Achei-o demasiado confuso em alguns momentos e pouco conclusivo. Fiquei com a sensação que pouco se resolveu quanto ao mistério da máquina de Macedonio e que toda a história parecia quase uma lenda ...