quarta-feira, 30 de abril de 2014

As Minhas Músicas (10)

Desconfio que esta música se vai tornar num dos meus vicios destes Verão ;)


Book Haul (5)

Aproveitei este fim de semana para ir passear e espairecer e, como não podia deixar de ser, passar por uma livraria e trazer pelo menos um livrinho. Por isso, deixo aqui as minhas mais recentes compras.




Demência de Célia Correia Loureiro, um livro que adquiri numa pequena feira do livro que se realizou em Setúbal. É o único livro que não comprei durante este fim de semana.



Un Viejo Que Leía Novelas de Amor de Luis Sepúlveda. Comecei a fazer a coleção dos livros deste autor nesta edição. Gosto das ilustrações da capa e este é já o terceiro que tenho.


Dispara, Yo Ya Estoy Muerto de Julia Navarro. Um pequeno colosso de pouco mais de 900 páginas e o primeiro livro desta autora que adquiro. Estou algo curiosa em relação ao seu trabalho; tem sido bastante elogiada e como há pouco tempo tinha visto uma reportagem precisamente sobre este livro, decidi aproveitar a oportunidade e comprar o livro.

Isabel la Católica, Reina de Castilla de M.ª Isabel del Val Valdivieso e Julio Valdeón Baruque. Estou a pensar começar a minha própria coleção de livros relacionados com História e esta foi a minha primeira aquisição. Ultimamente tenho acompanhado uma série dedicada a esta rainha e como fiquei curiosa, comprei este livro para conhecer um pouco mais sobre a sua vida.




Por fim, não é um livro, mas algo relacionado com as leituras. Estava na livraria e vi este separador e tive que traze-lo comigo. Gostei por ser feito em madeira e por ter a imagem da Catedral na parte de cima.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Are you speed dating your book?

Hoje, dia 23 de Abril, assinala-se o Dia Mundial do Livro e para marcar esta data resolvi fazer um post dedicado à relação que tenho (ou que por vezes nós, leitores, temos) com os livros.



É já tradição, no início da cada ano, desafiar-nos para X desafios literários. Seja ler um dado número de livros, completar séries, ler obras de autores de uma dada nacionalidade ou simplesmente tentar reduzir a nossa pilha de livros por ler, a verdade é que, invariavelmente, acabamos por criar estas metas. 

Por um lado, são uma excelente forma de diversificar leituras, poupar algum dinheiro ou, simplesmente, tentar ir mais além e apostar em descobrir algo de novo. No entanto, podem também constituir verdadeiras condicionantes, comprometendo as nossas escolhas e, potencialmente, o nosso envolvimento com a história. 

Apesar de os objetivos destes desafios serem, à primeira vista, orientados para a diversificação da leitura e organização do que temos pela nossa estante, a verdade é que também promovem a leitura rápida, especialmente quando nos referimos a desafios estilo Goodreads (ler X livros durante 2014).  Pode ser um desafio "imposto" pela própria pessoa, mas não deixa de criar uma meta que se procura alcançar o mais depressa possível ou, pelo menos, acompanhando um dado ritmo. Claro que, para conseguir cumpri-lo, a tendência poderá passar por escolher livros mais pequenos ou com histórias que sabemos de antemão serem mais acessiveis ou de rápida leitura. Clássicos ou livros com mais de 500 páginas (só para citar alguns exemplos) são mais facilmente colocados de parte para dar lugar a outro tipo de leituras, nomeadamente YA e contemporaneos estilo Anna and the French Kiss.

É neste âmbito que se pode falar de uma espécie de speed date com um livro. Num espaço de pouco tempo, procuramos lê-lo o mais rápido possível de forma a que possamos incluí-lo na nossa lista de livros lidos este ano. Um dos principais objetivos passa a ser o tempo de leitura e não tanto o envolvimento com a história e com as suas personagens. Por vezes, parece mesmo que o livro não é sequer "digerido" e que nos ficamos por uma apreciação algo superficial daquilo que lemos. 

Claro que isto é uma generalização e que mesmo livros de YA podem ter boas histórias que nos levem a pensar, que nos prendam desde as suas primeiras páginas e que nos façam adorar as suas personagens, mas penso que o comentário também não é totalmente infundado.

No entanto, os desafios literários não são os únicos a que podemos apontar o dedo. Também as maratonas literárias (nas quais gosto de participar) também promovem o mesmo estilo de leitura. Ainda que subordinadas a determinados temas (outra vez, diversificação) e de se assegurar sempre que cada um lê ao seu ritmo, a verdade é que não deixam de ser eventos especialmente orientados para "despachar" leituras. Claro que são boas, especialmente quando há desafios, porque dessa forma acabamos por ir um pouco mais além na nossa experiência enquanto leitores e ponderamos sobre certos detalhes, ou pensamos um pouco mais sobre as suas personagens ou sobre determinadas cenas da história. Contudo, não deixam de ser uma outra versão de speed-dating que pode também condicionar as nossas escolhas.

Finalmente, faço ainda uma referência aos blogs. Lembro-me de ler um comentário de uma blogger que dizia sentir alguma pressão para ler livros com uma certa rapidez para manter um dado ritmo de publicação de reviews. Se havia quem tentasse ler um livro por semana, havia também quem fosse ao ponto de ler um por dia. Claro que aqui estamos a falar de uma situação extrema e que (pelo menos do que sei) pouca gente pratica, mas, mais uma vez, estamos perante uma das situações em que aderimos a algo (neste caso os blogs) por puro prazer de falar de livros e que acaba por criar uma certa pressão nas nossas leituras.

E depois deste testamento podem pensar "OK, tudo isso é muito bonito, mas tu também aderiste a não sei quantos desafios, participas em maratonas literárias e tens um blog onde publicas as tuas reviews" e é um facto. No entanto, reconheço que por vezes os desafios condicionam as minhas escolhas e que já dei por mim adiar a leitura de livros maiores pelo simples facto de querer alcançar rapidamente certos patamares nos meus desafios, ou sentir algum remorso por não ler um dos meus livros mais antigos (para cumprir o Mount TBR challenge) mas sim o que comprei há menos tempo. 

Também já dei por mim a escolher livros mais ligeiros e a ficar satisfeita por ver o meu rápido avanço no desafio do Goodreads ou por conseguir publicar reviews com maior frequência aqui no blog.

E, finalmente, também já senti a pressão para ler mais rápido certos livros simplesmente para poder começar outro numa data concreta para poder depois comentá-lo em leituras conjuntas ou maratonas. 

Claro que tudo isto depende muito de pessoa para pessoa e a forma como cada um encara a sua relação com os desafios, maratonas e blogs, mas deu-me que pensar. Acho que irei tentar pôr de lado os meus dias de speed dating com alguns livros e procurar perder mais um dia ou dois com cada um, para que possa sentir que realmente li algo interessante, com uma história cativante e personagens deslumbrantes. Ou simplesmente para que me aperceba de que, na realidade, o livro não era nada de especial, que a história não tinha nada de novo e que as personagens eram bastante básicas. O que importa é que sinta que dei a atenção devida a esse livro e que formei a minha opinião com base em algo mais substancial que uma mera impressão superficial e passageira.

E depois de todo este desabafo, o que pensam? Também dão por vocês em pleno speed date com um livro ou, na realidade, conseguem manter uma relação mais saudável e duradoura?

terça-feira, 22 de abril de 2014

Sagas Infantis/Juvenis

Ultimamente ando numa de redescobrir os livros que lia quando era mais miúda. Quem é que não se lembra dos livros de Uma Aventura e das Viagens no Tempo, ou até mesmo das aventuras d' Os Cincos e d' Os Sete?

Foram estas coleções que me lançaram no mundo da leitura e que fizeram de mim uma leitora assídua. Cresci com estes livros, aprendi muita coisa - nomeadamente sobre história -, mas, acima de tudo, foi graças a eles que passei a gostar tanto de livros e a ansiar as idas às livrarias. Claro que hoje, com 23 anos, tenho uma perspetiva diferente e a forma como encaro as suas histórias não corresponde à que tinha aos 8 anos, mas ainda assim aprecio e gosto do que leio. E é precisamente por isso que decidi desafiar-me, não tanto a nível de leitura, mas sim a nível de colecionismo. Decidi adquirir os volumes que me faltam de algumas das coleções que iniciei quando era mais pequena, mas também adquirir aquelas que não tenho (ou porque nunca cheguei a ler ou porque os livros que li eram emprestados).
 
Para já, estou a começar com os livros de Uma Aventura e Viagens no Tempo, ambos de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Da primeira coleção apenas tenho 18 - a série vai no número 56 neste momento - e da primeira tenho 15, faltando-me apenas o mais recente. Para além disso, gostaria ainda de adqurir a coleção d'Os Cinco, de Enid Blyton e a série Percy Jackson - apesar de esta série ser já mais recente. Têm outras sugestões de sagas?



E vocês? Ainda gostam de ler livros juvenis ou acham que é algo que tem o seu momento?

segunda-feira, 21 de abril de 2014

TAG: Venha o Diabo e Escolha

Esta Tag foi-me passada pelo José de O Blog de um tal José (muito obrigado!) e consiste, essencialmente, em responder a 10 questões (bastante!) dificeis para qualquer fã da leitura e dos livros.



1 - Preferias só poderes ler um livro por ano e saberes que ias adorá-lo imenso ou leres vários e não gostares muito deles?

Hmmm pergunta bastante díficil. Não sou grande fã de repetir leituras, mas penso que neste caso acabaria por fazê-lo. Não gostaria de passar um ano inteiro a ler livros que, na realidade, nunca me agradariam. 

2 - Preferias nunca conhecer o teu autor(a) preferido (a) ou nunca mais poderes ler mais livros do(a) mesmo(a) a partir deste momento?

Aqui não há grandes dúvidas! Preferia não conhecer o autor a abdicar dos seus livros. Não sou daquelas pessoas que faça grande questão de conhecer autores, algo que até acaba por ser bom tendo em conta que alguns dos meus preferidos já morreram há algum tempo.

3 - Preferias ser obrigado a ver sempre os filmes antes de leres os livros ou nunca veres os filmes?

Apesar de, em geral, preferir ler primeiro o livro e só depois ver o filme, confesso que aqui não me importaria de inverter essa ordem. Acho que é bem melhor ver o filme antes do que nunca poder vê-los.

4 - Preferias matar uma das tuas personagens preferidas de sempre ou deixar um dos piores vilões escapar impune?

Penso que não me importava de deixar escapar o vilão. Confesso que por vezes gosto de torcer pelos vilões, especialmente quando são engenhosos, inteligentes e intrigantes.
5 - Preferias ser um tributo nos Jogos da Fome ou que a pessoa mais importante no mundo fosse?

Seria eu. 

6 - Preferias que a tua série preferida de sempre não tivesse existido ou que o(a) autor(a) nunca a conseguisse acabar?

Apesar de já ter sentido a sensação de vazio por gostar de uma série que não chegou a ser terminada (trilogia Millenium como o exemplo mais flagrante), penso que preferia esse cenário a nunca ter conhecido sequer a saga. Pode ser mau, uma vez que a saga no seu conjunto, regra geral, contribui largamente para a qualidade e desenvolvimento da história e personagens, mas acho que é preferivel conhecer, ainda que só uma parte, do que perder algo que pode mexer comigo.
7 - Preferias nunca ter conhecido esta comunicade literária da Internet ou teres de deixar de fazer parte dela, para sempre, obrigatoriamente?

Bastante díficil esta questão. Acho que era preferivel nunca ter conhecido, porque assim não sentiria desgosto de não poder fazer parte.
8 - Preferias que um livro que encomendaste chegasse a tua casa numa edição super feia, mas em ótimas condições ou que chegasse a tua casa na edição que querias, mas toda estragada e sem que pudesses reclamar?

Preferia a feia lol verdade seja dita, apesar de gostar de um capa bonita (quem é que não gosta), não deixaria de ler um livro por não ser tão fofinho ou cuchicuchi como inicialmente gostaria.
9 - Preferias que os teus livros, por conta de uma tragédia, ardessem ou se afogassem?

Não há uma terceira opção??? Hmmmmm acho que preferia que ardessem ... Pode ser drástico, mas acho preferivel que eles desapareçam por completo a vê-los num mau estado e sem hipótese de recuperá-los (nem sempre o secador consegue fazer milgares :S)
10 - Preferias rasgar a capa de um livro ou sujá-la com algo que não saia?

Rasgar, definitivamente. A partir daí ainda há hipótese de remediar a situação. Com as manchas isso já seria mais complicado.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

#Friday Reads (26)

Ora muito bem, eis o meu programa de leituras para este fim de semana de Páscoa.

Em primeiro lugar, gostaria de terminar um livro que comecei esta semana e sobre o qual terei de escrever uma review. Chama-se Deadly Secret e é de Boris Riskin, um autor que desconhecia. Deixo-vos a sinopse deste livro:

Jake Wanderman is not your average retired teacher and Shakespeare maven. He’s tangled with the Russian Mafia and assassins in Jerusalem and come out triumphant. Now his childhood friend’s long-lost daughter is a suspect in a murder investigation and Jake’s help is needed. The daughter flees to London and he follows, searching for clues. Instead, he uncovers rape, suicide, and secret identities. And falling in love with the female detective on the case only complicates the issue.
Like Sam Spade phoning in his reports to Effie, Jake Wanderman talks us through this corkscrew case in his own inimitable, Brooklyn-wise-guy style while quoting Shakespeare at every opportunity.

Até agora tem sido uma leitura interessante, apesar de já ter lido melhor. No entanto, e do que li de outras reviews, é um livro que ao início pode não cativar tanto, mas que, há medida que a história progride, vai melhorando.

Para além disso, e uma vez que terei de uma longa viagem de carro pela frente, espero conseguir pelo menos um dos livros de Uma Aventura que comprei recentemente: Uma Aventura no Bosque e Uma Aventura em Alto Mar.

Boa Páscoa e até ao próximo post ;)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ana Karenina de Leão Tolstoi

Sinopse

Ana Karenina parece ter tuddopo – beleza, dinheiro, popularidade e um filho adorado. Mas sente um vazio na sua vida até ao momento em que conhece o arrebatador conde Wronsky. A relação que em breve se inicia entre ambos escandaliza a sociedade e a família, e traz no seu encalce ciúme e amargura.
Em contraste com esta história de amor e autodestruição, encontramos Constantino Levine, um homem em busca da felicidade e de um sentido para a sua vida.




A Minha Opinião

Este é um daqueles livros que constava na minha lista de clássicos a ler já há bastante tempo, mas que até ao momento ainda não tinha tido coragem de pegar. Despertava a minha curiosidade por ser um clássico da literatura russa e de ter uma história tão focada na vida de uma mulher. No entanto, tinha algum receio que a narrativa se revelasse algo arrastada, o que, aliado ao tamanho da obra, poderia levar a que a sua leitura se revelasse bastante custosa. Felizmente, Ana Karenina revelou-se uma agradável surpresa e acabei por lê-lo muito mais rápido do que inicialmente esperava.

Fiquei desde logo surpreendida com o estilo de Tolstoi e pelo retrato que ele fez da sociedade russa do século XIX. Pensava, muito sinceramente, que a narrativa seria arrastada e demasiado marcada pela época em que o livro foi publicado, mas deparei-me com uma obra pouco pesada e cativante. Ainda que por vezes os diálogos se dedicassem à política ou filosofia, eram bastante interessantes e apelavam à reflexão e as descrições permitiam imaginar os cenários da história com alguma clareza e sem maçar o leitor. Para além disso, a contraposição feita entre classes - uma alta sociedade hipócrita e demasiado preocupada com aparências e uma classe pobre que, apesar do seu trabalho árduo, recebia salários bastante baixos - e a vida na cidade e no campo permitia, não só, contextualizar a obra, mas também conhecer a sociedade da altura e perceber os atritos que existiam e a forma como as pessoas os viviam.

No entanto, essa não é a única realidade destacada em Ana Karenina. O adultério assume especial relevância, percebendo-se as diferenças que socialmente eram estabelecidas para a mulher e para o homem. É evidente a crítica do autor à hipocrisia da época e a forma como utilizou Ana e o seu irmão para expor os dois extremos do tema é magistral. Uma traição perpetrada por um homem era algo (praticamente) natural e visto como um mal inevitável dos casamentos em que o marido já não se sente sexualmente atraído pela sua mulher. Em suma, considera-se como um comportamento perfeitamente justificavel e cabia à mulher aceitá-lo e seguir com a sua vida como se nada tivesse acontecido. Já Ana, ao assumir o seu romance com Wronsky, é ostracizada pela sociedade e passa a ser considerada como uma mulher desonrada e escandalosa que não soube respeitar a moral e a posição do seu marido. As consequências da sua escolha são avassaladoras, comprometendo, não só, a sua posição social, mas também a relação com o seu filho.

Já no que diz respeito às personagens, devo admitir que fiquei algo dececionada. Não gostei de Ana. Achei-a demasiado caprichosa, possessiva e insatisfeita e apesar de perceber o sofrimento a que ficou submetida pela escolha entre seguir as convenções sociais da época e seguir aquilo que a faria feliz, não consegui sentir grande empatia por ela. Wronsky e Karenine também não eram especialmente cativantes, mas confesso que acabaram por despertar mais o meu interesse e por apelar à minha simpatia. Honestamente, penso que o primeiro fez o que era humanamente possível para sustentar a sua relação com Ana e que Karenine, apesar da sua frieza e distanciamento, apelava pelo seu intelecto. Por fim, destaco ainda Kitty e Levine, casal com o qual comparávamos a relação de Ana e Wronsky. Gostei destas personagens, pelo seu romance e, principalmente, pelos dilemas de Levine, um homem do campo pouco habituado às exigência da vida na cidade, que dedicava uma grande porção do seu tempo a reflexões sobre a morte e a fé.

No geral, uma leitura bastante agrádavel e interessante, não só pelo retrato da sociedade da época, mas também pela forma como o autor utilizou as personagens para representar os seus principais sectores - os latifundiários, os militares, os nobres, os eruditos mais dados à política e à filosofia e os trabalhadores rurais. Para além disso, a forma como aborda o conflito entre a concretização pessoal e o seguir as convenções sociais está muito bem elaborada nesta obra, tornando-se mesmo num dos seus principais temas, a par do adultério. Uma leitura que recomendo vivamente. 

Classificação: 4 estrelas