quarta-feira, 7 de maio de 2014

The Cuckoo's Calling de Roberth Galbraith

Sinopse

Quando uma jovem modelo cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra - com sequelas físicas e psicológicas - e a sua vida está um caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna - e mais se aproxima de um perigo terrível...

A Minha Opinião

Ainda não tinha lido nada do trabalho de J K Rowling após a fase Harry Potter. Não tinha que ver com o facto de ser um estilo diferente e de já não ser o mundo mágico a que ela nos tinha habituado. Deveu-se, muito simplesmente, ao facto de, pelo meio, terem saído livros que eu considerei mais interessantes ou porque tinha outras coisas na minha estante que queria ler. Estava curiosa, mas - admito - The Casual Vacancy não me tinha despertado muito a atenção e The Cuckoo's Calling parecia interessante, mas acabei por ir adiando a sua compra. 

Agora que o li, que posso então dizer? Surpreendente! É um livro verdadeiramente surpreendente. Claro que não se aproxima daquilo a que estavamos habituados em Harry Potter, mas tiro o chapéu a J K Rowling. Não esperava que ela conseguisse escrever um policial complexo, com personagens muito bem caracterizadas e desenvolvidas e que ainda nos desse um final em cheio.

Mas agora dividindo por partes.

Relativamente ao enredo, devo dizer que, no início, pensava que seria uma história que precisaria de algum fôlego para se manter durante as 550 páginas que o livro tem. A premissa, apesar de interessante, parecia deixar muita coisa em aberto. Tanto poderia ser daqueles enredos que rapidamente "morrem" e em que metade dos capítulos estão ali para encher, como ter um desenvolvimento meio rocambolesco e que no final nos levaria a questionar "Mas o que é que acabou de acontecer?" por parecer tudo tão inverosímil. Felizmente, não aconteceu nada disso e fiquei bastante satisfeita com a forma como J K Rowling desenvolveu a premissa. É daquelas histórias que de início podem parecer simples, mas que à medida que vão progredindo, adensam-se e ficam cada vez mais complexas e ricas.

Essa característica tornou-se evidente na própria forma como a investigação de Cormoran ia progredindo e isso deu uma boa margem para que eu fosse extraindo as minhas próprias conclusões e fizesse deduções com base nos elementos que eram fornecidos. O leitor quase que assume o papel de co-detetive do caso e isso, a meu ver, é um aspeto bastante positivo, porque isso significa que estamos perante uma história cativante e envolvente.

Já no que diz respeito às personagens, fantástico. Apesar de a personagem principal ser Cormoran, cada uma das personagens secundárias (mesmo aquelas que apenas entram em um ou dois capítulos) são excecionais. A caracterização feita pela autora é fantástica; os retratos que faz e a forma como recorre a diferentes registos para cada uma das suas personagens permitiram imaginar de forma muito mais clara como é que cada uma era e que postura e maneirismos estaria a adotar durante o seu tempo de antena. Aliás, confesso que é raro encontrar um livro que me leve a admirar a capacidade e versatilidade de um autor para adaptar o discurso e as marcas de oralidade a cada personagem - uma caracaterística que, a meu ver, por vezes é negligenciada e que, no entanto, enriquece uma personagem -, mas essa foi precisamente uma das coisas que mais me atraiu neste livro.

As minhas personagens preferidas acabaram por ser Cormoran e Robin, a sua secretária. Cormoran porque não se enquadrava no padrão de detetive a que muitos policiais nos habituam - um homem atraente, mesmo que não necessariamente bonito que apesar do seu passado meio obscuro,  nos conquista e cativa. Facto, é um homem inteligente, com um passado meio conturbado e uma história familiar algo pecualiar, mas ao mesmo tempo, tem um ar quase anti-herói - excesso de peso, uma prótese na perna, dorme no seu próprio escritório e tem uma divida considerável a pesar-lhe os ombros. Todos estes elementos fizeram com que engraçasse desde logo com ele. Não tentava ser perfeito - nem era esse o plano da autora - e a sua simplicidade acaba por ser cativante. Quanto a Robin, achei-lhe piada por ser sonhadora, por ter seguido o seu sonho e trabalhar onde se sentia mais feliz, seguindo aquilo que sempre ambicionou (ainda que secretamente).

No geral, uma leitura bastante agradável e cativante que recomendaria a todos, especialmente a quem gosta de policiais. Claro que, para quem leu Harry Potter, este mundo e estilo serão completamente diferentes daquilo a que estavam habituados, mas penso que vale bem a pena mergulhar nesta história e simplesmente deixarem-se levar pela sua intriga. O final não deixa de ser surpreendente, ainda que possa parecer algo rápido quanto ao seu desenlace.

Classificação: 5 estrelas

sexta-feira, 2 de maio de 2014

#Friday reads (27)

Este fim de semana será para tentar dedicar-me a The Cuckoo's Calling, o livro escrito por J K Rowling com o pseudónimo Robert Galbraith. Vou neste momento na página 370 e estou a gostar bastante, não tenho é tido muito tempo para ler. Para quem não conhece ainda a história, fica aqui a sinopse:

Quando uma jovem modelo cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra - com sequelas físicas e psicológicas - e a sua vida está um caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna - e mais se aproxima de um perigo terrível...

Para além disso, gostaria ainda de tirar um bocadinho para ler o conto Halloween de Nádia Batista. Já há algum tempo que descarreguei o conto, mas ainda não tive a oportunidade de lê-lo.

Com este Sol fantástico, não sei se conseguirei cumprir todos estes planos, mas vamos lá ver.

E o vosso fim de semana, como é que vai ser? :) 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Balanço Leituras: Abril

E mais um mês chega ao fim e está na altura de fazer um balanço das minhas leituras durante o mês de Abril. Confesso que li mais do que esperava. Leitura conjunta + mini férias parecia-me uma combinação que resultaria em poucas leituras.

 Livros lidos


  • El Ruido de las Cosas al Caer de Juan Gabriel Vásquez: um livro aparentemente simples, mas que nos dá um bom retrato das personagens e da natureza humana. Parti para este livro sem saber o que esperar e gostei do resultado. Review aqui.
 

  • Ana Karenina de Leão Tolstoi: livro da leitura conjunta deste mês. Gostei bastante! Estava com receio de não gostar e de nao conseguir ler tudo, mas correu tudo bem (felizmente!). Review aqui.



  • Deadly Secrets de Boris Riskin: um policial com uma premissa interessante e um protagonista carismático. Uma leitura interessante, apesar de reconhecer que tinha algumas falhas. Review aqui.



  • Uma Aventura no Bosque, no Coimboio e no Alto Mar de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada: este mês estive numa de Uma Aventura e de voltar à coleção que lia quando era mais novinha. Foi bom voltar a ler estas aventuras ;)

    Desafios Literários

    A a Z: dois livrinhos lidos para este desafio e foram eles Ana Karenina e El Ruido de las Cosas al Caer.

    Mount TBR: para este foi apenas El Ruido de las Cosas al Caer. No entanto, já consegui ler, no total, 8 livros para este desafio desde o início do ano ;)

    5 x 5: também só contou o livro de Juan Gabriel Vásquez enquanto um dos 5 autores que queria descobrir este ano. 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

As Minhas Músicas (10)

Desconfio que esta música se vai tornar num dos meus vicios destes Verão ;)


Book Haul (5)

Aproveitei este fim de semana para ir passear e espairecer e, como não podia deixar de ser, passar por uma livraria e trazer pelo menos um livrinho. Por isso, deixo aqui as minhas mais recentes compras.




Demência de Célia Correia Loureiro, um livro que adquiri numa pequena feira do livro que se realizou em Setúbal. É o único livro que não comprei durante este fim de semana.



Un Viejo Que Leía Novelas de Amor de Luis Sepúlveda. Comecei a fazer a coleção dos livros deste autor nesta edição. Gosto das ilustrações da capa e este é já o terceiro que tenho.


Dispara, Yo Ya Estoy Muerto de Julia Navarro. Um pequeno colosso de pouco mais de 900 páginas e o primeiro livro desta autora que adquiro. Estou algo curiosa em relação ao seu trabalho; tem sido bastante elogiada e como há pouco tempo tinha visto uma reportagem precisamente sobre este livro, decidi aproveitar a oportunidade e comprar o livro.

Isabel la Católica, Reina de Castilla de M.ª Isabel del Val Valdivieso e Julio Valdeón Baruque. Estou a pensar começar a minha própria coleção de livros relacionados com História e esta foi a minha primeira aquisição. Ultimamente tenho acompanhado uma série dedicada a esta rainha e como fiquei curiosa, comprei este livro para conhecer um pouco mais sobre a sua vida.




Por fim, não é um livro, mas algo relacionado com as leituras. Estava na livraria e vi este separador e tive que traze-lo comigo. Gostei por ser feito em madeira e por ter a imagem da Catedral na parte de cima.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

Are you speed dating your book?

Hoje, dia 23 de Abril, assinala-se o Dia Mundial do Livro e para marcar esta data resolvi fazer um post dedicado à relação que tenho (ou que por vezes nós, leitores, temos) com os livros.



É já tradição, no início da cada ano, desafiar-nos para X desafios literários. Seja ler um dado número de livros, completar séries, ler obras de autores de uma dada nacionalidade ou simplesmente tentar reduzir a nossa pilha de livros por ler, a verdade é que, invariavelmente, acabamos por criar estas metas. 

Por um lado, são uma excelente forma de diversificar leituras, poupar algum dinheiro ou, simplesmente, tentar ir mais além e apostar em descobrir algo de novo. No entanto, podem também constituir verdadeiras condicionantes, comprometendo as nossas escolhas e, potencialmente, o nosso envolvimento com a história. 

Apesar de os objetivos destes desafios serem, à primeira vista, orientados para a diversificação da leitura e organização do que temos pela nossa estante, a verdade é que também promovem a leitura rápida, especialmente quando nos referimos a desafios estilo Goodreads (ler X livros durante 2014).  Pode ser um desafio "imposto" pela própria pessoa, mas não deixa de criar uma meta que se procura alcançar o mais depressa possível ou, pelo menos, acompanhando um dado ritmo. Claro que, para conseguir cumpri-lo, a tendência poderá passar por escolher livros mais pequenos ou com histórias que sabemos de antemão serem mais acessiveis ou de rápida leitura. Clássicos ou livros com mais de 500 páginas (só para citar alguns exemplos) são mais facilmente colocados de parte para dar lugar a outro tipo de leituras, nomeadamente YA e contemporaneos estilo Anna and the French Kiss.

É neste âmbito que se pode falar de uma espécie de speed date com um livro. Num espaço de pouco tempo, procuramos lê-lo o mais rápido possível de forma a que possamos incluí-lo na nossa lista de livros lidos este ano. Um dos principais objetivos passa a ser o tempo de leitura e não tanto o envolvimento com a história e com as suas personagens. Por vezes, parece mesmo que o livro não é sequer "digerido" e que nos ficamos por uma apreciação algo superficial daquilo que lemos. 

Claro que isto é uma generalização e que mesmo livros de YA podem ter boas histórias que nos levem a pensar, que nos prendam desde as suas primeiras páginas e que nos façam adorar as suas personagens, mas penso que o comentário também não é totalmente infundado.

No entanto, os desafios literários não são os únicos a que podemos apontar o dedo. Também as maratonas literárias (nas quais gosto de participar) também promovem o mesmo estilo de leitura. Ainda que subordinadas a determinados temas (outra vez, diversificação) e de se assegurar sempre que cada um lê ao seu ritmo, a verdade é que não deixam de ser eventos especialmente orientados para "despachar" leituras. Claro que são boas, especialmente quando há desafios, porque dessa forma acabamos por ir um pouco mais além na nossa experiência enquanto leitores e ponderamos sobre certos detalhes, ou pensamos um pouco mais sobre as suas personagens ou sobre determinadas cenas da história. Contudo, não deixam de ser uma outra versão de speed-dating que pode também condicionar as nossas escolhas.

Finalmente, faço ainda uma referência aos blogs. Lembro-me de ler um comentário de uma blogger que dizia sentir alguma pressão para ler livros com uma certa rapidez para manter um dado ritmo de publicação de reviews. Se havia quem tentasse ler um livro por semana, havia também quem fosse ao ponto de ler um por dia. Claro que aqui estamos a falar de uma situação extrema e que (pelo menos do que sei) pouca gente pratica, mas, mais uma vez, estamos perante uma das situações em que aderimos a algo (neste caso os blogs) por puro prazer de falar de livros e que acaba por criar uma certa pressão nas nossas leituras.

E depois deste testamento podem pensar "OK, tudo isso é muito bonito, mas tu também aderiste a não sei quantos desafios, participas em maratonas literárias e tens um blog onde publicas as tuas reviews" e é um facto. No entanto, reconheço que por vezes os desafios condicionam as minhas escolhas e que já dei por mim adiar a leitura de livros maiores pelo simples facto de querer alcançar rapidamente certos patamares nos meus desafios, ou sentir algum remorso por não ler um dos meus livros mais antigos (para cumprir o Mount TBR challenge) mas sim o que comprei há menos tempo. 

Também já dei por mim a escolher livros mais ligeiros e a ficar satisfeita por ver o meu rápido avanço no desafio do Goodreads ou por conseguir publicar reviews com maior frequência aqui no blog.

E, finalmente, também já senti a pressão para ler mais rápido certos livros simplesmente para poder começar outro numa data concreta para poder depois comentá-lo em leituras conjuntas ou maratonas. 

Claro que tudo isto depende muito de pessoa para pessoa e a forma como cada um encara a sua relação com os desafios, maratonas e blogs, mas deu-me que pensar. Acho que irei tentar pôr de lado os meus dias de speed dating com alguns livros e procurar perder mais um dia ou dois com cada um, para que possa sentir que realmente li algo interessante, com uma história cativante e personagens deslumbrantes. Ou simplesmente para que me aperceba de que, na realidade, o livro não era nada de especial, que a história não tinha nada de novo e que as personagens eram bastante básicas. O que importa é que sinta que dei a atenção devida a esse livro e que formei a minha opinião com base em algo mais substancial que uma mera impressão superficial e passageira.

E depois de todo este desabafo, o que pensam? Também dão por vocês em pleno speed date com um livro ou, na realidade, conseguem manter uma relação mais saudável e duradoura?

terça-feira, 22 de abril de 2014

Sagas Infantis/Juvenis

Ultimamente ando numa de redescobrir os livros que lia quando era mais miúda. Quem é que não se lembra dos livros de Uma Aventura e das Viagens no Tempo, ou até mesmo das aventuras d' Os Cincos e d' Os Sete?

Foram estas coleções que me lançaram no mundo da leitura e que fizeram de mim uma leitora assídua. Cresci com estes livros, aprendi muita coisa - nomeadamente sobre história -, mas, acima de tudo, foi graças a eles que passei a gostar tanto de livros e a ansiar as idas às livrarias. Claro que hoje, com 23 anos, tenho uma perspetiva diferente e a forma como encaro as suas histórias não corresponde à que tinha aos 8 anos, mas ainda assim aprecio e gosto do que leio. E é precisamente por isso que decidi desafiar-me, não tanto a nível de leitura, mas sim a nível de colecionismo. Decidi adquirir os volumes que me faltam de algumas das coleções que iniciei quando era mais pequena, mas também adquirir aquelas que não tenho (ou porque nunca cheguei a ler ou porque os livros que li eram emprestados).
 
Para já, estou a começar com os livros de Uma Aventura e Viagens no Tempo, ambos de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Da primeira coleção apenas tenho 18 - a série vai no número 56 neste momento - e da primeira tenho 15, faltando-me apenas o mais recente. Para além disso, gostaria ainda de adqurir a coleção d'Os Cinco, de Enid Blyton e a série Percy Jackson - apesar de esta série ser já mais recente. Têm outras sugestões de sagas?



E vocês? Ainda gostam de ler livros juvenis ou acham que é algo que tem o seu momento?